sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

será que você sabe...

que quando eu olho nos seus olhos a vontade que eu sinto é de correr descalço pela grama alta e sentir o capim entrando pela sola dos meus pés, pelo meio dos meus dedos e que a água de cachoeira ou riacho é o que vejo quando olho bem no fundo dos teus olhos e que vontade de rir e sorrir ao mesmo tempo não me faltam...será que você sabe que eu sinto cheiro de mel quando olho os seus olhos e depois reconheço que não é mel e sim capim limão...e que vontade não me falta de nadar em alto mar, nadar costas, nadar borboleta, nadar "crow"...e tudo isso se passa em minha mente quando estou na sua frente e olhando só e nos seus olhos brilhosos e lustrados...e que se eles se fecham eu fico imaginando que ainda estou vendo esses seus olhos e que fico sentindo uma porção de coisas que vou nominando como tirar pétala de flor de margarida, como passar as mãos em uma nuvem macia, como voar ou então comer pirulito de chocolate num domingo de tarde...sabe que de olhar os coitados dos meus olhos se perdem e voltam e depois tem vontade de gargalhar bem alto e então eles não se seguram, são assim meio descontrolados e gargalham e parece que os outros olhos param com o que estavam fazendo só pra ver o que os meus estão gargalhando...e percebem que é nos seus que estou olhando e logo sentem barulho de asa de libélula e logo estão todos olhando os seus que me trazem de volta essa brincadeira de criança que é comer o imaginário, que é beber o chá na "xicrinha" de plástico e sentir o gosto de verdade...pq olhar nesses seus olhos é brincar de sentir umas coisas indefinidas, mas só de pura verdade...

técnicamente despreparada...

eu estava tecnicamente despreparada, e isso se deu pq eu nunca estarei tecnicamente preparada para uma técnica que não faz sentido para os meus sentidos, não estava em mim a mecanicidade necessária para simplesmente estar lá e não sentir nada, mas o que nos interessa é o sentimento diz a voz que comanda, mas o que sentir não é pra mim tão simples assim, como verbalizar, como expressar, como deixar sair de mim...isso não é pra mim assim tão simples, tão normal...pq pra mim quando um olho busca o outro e encontra exatamente aquele que imaginava encontrar e quando mergulhados estão uns nos outros o medo do que pode surgir é inevitável, vai além de qualquer técnica, qualquer uma delas é falha nesse e em outros momentos em que se deve sentir...mas quando o olho que busca não encontra e se volta em outra direção e vê que outro já lhe esperava, sente-se mais do que podemos verbalizar...e o que povoava minha mente antes do dia de hoje eram apenas suposições de como seria se fosse, mas na hora do fato, na hora da proximidade que vai além do necessário, na hora em que o olho olha no outro que não me vê e a respiração se torna tão próxima que esquenta o rosto e se sente o café recém tomado, a água que acabou de passar por ali, ou o biscoito de outrora, o cigarro já tragado...nessa hora que demora uma eternidade até que pele com pele se encostam e trocam por situação algo que eu só trocaria por vontade...na hora em que vontade não é nada...em que o tudo que outros olhos olham, para mim se transforma em cara corada...em vergonha de demonstrar uma vergonha que estava muito mais do que estampada, nessa hora busquei uma técnica que eu já sabia que não era nada...pq eu não entendo alguém que faz por obrigação e não por gosto, eu não entendo os que buscam sem valor, eu não entendo uma boca que se abre perante outra que já não estava ali desde que começou...eu não entendo o pré-programado e muito menos o olho que olha e não sente que a hora já é finda e que nem tudo na vida tem que ir rumo as obviedades que já estamos tão acostumados, tanto quanto as novelas da televisão...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

tanto...

de tanto que tenho nas pontas dos dedos agora, que querem correr nas teclas, que querem gritar, que querem...de tanto que tenho resolvo calar...resolvo passar as pontas dos dedos em outros lugares que não nas teclas...resolvo ficar com isso guardado, pra poder respirar ainda mais um pouco da vida que se forma e que logo quer ir pras pontas dos meus dedos serelepes...resolvo até desresolver...

aos mestres com carinho...

os meus olhos não podiam acreditar, tinha que arregalar ainda mais, tinha que não piscar sequer um segundo pra poder ver e tentar quem sabe algum dia entender o que se passou por lá...dois mestres, em diferente estado, em toda diferença de ser que há no mundo, no tempo, mais dois mestres e eu lá...olhando, sentindo, pensando...e quando um fala o outro escuta e quando o outro demonstra aquele que agora mesmo falava, cala, se cala pra dentro do peito e eu, eu sinto a movimentação que acontece dentro do peito, quando um fala, quando cala, quando faz...uma generosidade sem precedente, eu nunca havia sentido assim tão de perto, não com toda a força que senti...uma doação, que só se doa assim quando há vida pra doar...quando se está tão vivo que se pode quebrar...saber despertar o sentimento com técnica, quem é que sabe fazer isso em dias assim, quem é que sabe se deixar levar pela maré e se coloca tão aprendiz quanto os demais, quem nos dias de hoje ainda faz isso assim á luz do dia...me diga quem???...e saia do peito, topo da cabeça, costa, braços, pernas, mãos uma energia, um fluxo de energia de chocar gente despreparada, se é que algum dia vamos estar preparados pra olhar e ver...dois mestres, com carinho, num carinho, numa força, numa sala de aulas...e talvez ainda hoje não tenha e pode ser que as palavras certas não venham nunca, é só uma tentativa de contar o que vi e senti, o que pensei estando ali, sentada no chão como uma criança, vendo outras crianças brincando, brincadeira das mais sérias, mas que nem por isso é pesada, nem por isso é adulta, nem por isso perde a graça, toda graça que tem as brincadeiras que nos dispomos a brincar, e dai se passa a ver outras coisas, outras janelas se abrem, outro vento entra por elas e pra mim sempre chove, seja enxurrada, seja garoa fina, mas sempre que estou assim, frente a frente com crianças que brincam, que jogam esse jogo que não é nada mais do que a vida que passa por elas e volta e passa e sempre volta, sempre que estou assim, frente a frente com a vida e suas crianças as lágrimas são presença certa, é a minha vida que escorre e volta e corre...dos mestres um carinho que poucas vezes senti, aos mestres um carinho que desprendo de dentro de mim...e só eu sei o que significa desprender de dentro de mim pra alguém...

é como se fosse...

em certas horas é como se fosse...já que os olhos olham e não vêem, a boca fala mais não diz, a mente pensa mas na hora de reproduzir o que será que é, o que queria que fosse...estar ali tão perto de si mesma o que significa, que sentimentos traz a tona quando se está tão perto de si mesma que se pode olhar pra dentro sem se perder...eram dois dias como outros que já haviam vindo e ido...dois dias inspiradores que trouxeram tanto quanto levaram, mas e depois, e depois da inspiração e do torpor o que fica, o que realmente fica...depois do contato físico e surreal com a realidade vista por uma janela tão diferente...o que será que pode e deve ficar, há algum dever nisso tudo???...o que fica sentido e entendido na pele é um cansaço de dentro e de fora que ainda se reflete e se refletirá por alguns dias, uma vontade de não pensar em nada depois de tanto fluxo, mas a vontade de fundo de peito de deixar ainda mais claro o que se abriu naquela fresta, deixar ainda mais forte o que era só suspiro, uma vontade que dessa vez eu espero que dure, é duro viver só de relâmpago e tempestade, quero ter brisa, vento, chuvinha fraca e dia de sol...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

São Jorge é guerreiro...





Salve Ogum!


(Jorge Ben Jor)

Deus adiante paz e guia

Encomendo-me a Deus e a Virgem Maria minha mãe

Os doze apóstolos meus irmãos

Andarei nesse dia nessa noite

Com meu corpo cercado, vigiado e protegido

Pelas as armas de São Jorge

São Jorge sendo como praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia

Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pé não me alcancem

Tendo mãos não me peguem, não me toquem

Tendo olhos não me enxerguem

E nem pensamento eles possam ter para me fazer mal

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão

Facas e lanças se quebrem se o meu corpo tocarem
Cordas e correntes se arrebentem se ao meu corpo amarrarem
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é da Capatocia.

Salve Jorge!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

por dentro...


e por dentro o que é que tem...e a pergunta quem faz, sou eu ou você...e quando os meus olhos não ficam sequer um segundo fixos nos seus será que posso olhar de verdade, será que a verdade está ali entre nós...já não havia mais verdade em meu conceito frouxo, já não havia mais nada que estivesse ali...só uma sensação de não querer, só um vazio que volta e meia era preenchido por uma negação, por uma revolta, por uma não razão...mas no fundo raso em que me encontrava, lá nesse fundinho que só serve em mim, pra mim, ali estava um vazio de sentimento, que de dor se transformou em negação e que de negação já não sabia mais o que era...e por vezes esse vazio se transferia para meus olhos, uns olhos tão molhados que chegavam a vazar do vazio para outro lugar, pra fora do rasinho...e por horas e mais e muito mais se mantinham molhados e vazados, e não por querer, só por sentir, só por não mais sentir o que sempre sentia e que como era tão bom, vivo...e cheia desse vazio, sem mais o que saber, mais uma vez molhei o olhar num lugar que pra mim sempre foi tão santo, mesmo que eu nem sabia que existia lugar assim, pra mim ali era lugar santo, e de lá e mais além é que veio a ajuda, da não fé, nasceu a confiança em algo que vai além do que os olhos podem ver, vai além da racionalização...e com olhos vazados de dor e sofrimento veio e foi um pedido tão especial, tinha planejado pedir tanta coisa, tinha imaginado outros problemas tão maiores, mas ali na hora da verdade, quando os meus olhos se abriram pra deixar sair a dor que ali estava, foi só que pude pedir de verdade...foi só o que me restou pedir, nem por mim e nem por ti, mas por nós, mesmo que depois disso nunca mais existisse um nós, mas mesmo assim, queria os olhos secos daquela dor que já estava a tempos demais por ali...e as palavras que eu disse me vieram direto do coração, eram palavras que pulsavam numa dor dilacerante, era quase um grito mudo que ardia, queria poder voltar acreditar em um "pra sempre" que não acaba...queria poder voltar a ver, olhar, sentir...queria poder estar de verdade naquele lugar...minha dor (que nunca foi só minha) era clara como lampejo e a ajuda veio de onde menos eu imagina, veio com uma força surpreendente, veio com o poder que eu sem querer acreditava que havia naquele lugar...ascendi a vela, rezei com os olhos molhados e apertados com tanta força que achei que nunca mais poderia abri-los, arregalá-los...e depois um abraço cheio de luz,uma luz que todos temos, mas que só se vê em quem deixa estar...e depois o zero, o nada, nem pra mais, nem pra menos...um vazio bom, uma chance de tornar a encher, mas agora sabendo o que por pra dentro de si mesma...e depois sai dali, voltei ao meu suposto lugar...meu toque se tornou tão leve que uma pluma seria mais pesada, meu coração estava refletindo o que sentia, leve, zerada...deitei a cabeça no travesseiro e fiquei ali contemplando o que talvez nunca mais pudesse acontecer...adormeci sem brigar com o sono e sem perceber, sonhei com você...seu sorriso iluminava toda a sala, tinha uma beleza que nunca havia notado, falava com tanta calma, e quando não havia mais nenhuma palavra, quando já não era mais necessário falar, em minha mente, dentro do sonho, as coisas se esclareceram de tal forma que não havia mais porque brigar...o motivo a tempos parecia inesistente, sabia do erro que havia cometido, tinha isso muito claro, sabia do perdão que deveria pedir com uma verdade de alma, sabia que ainda não era chegado o dia de pedir com o coração puro, mas sabia que esse dia estava tão perto quando o sorriso agora em sua boca...e ao despertar o que poderia fazer senão olhar para o céu e agradecer a Ogum o que me foi dado de presente, meu pedido muito mais do que atendido...seu olhar de novo, um tanto de vida que me foi trazido de volta, quando mais precisava viver...salve Ogum...salve Jorge...salve saber mais pedir perdão do que perdoar...salve bem amada...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

viva...

se fosse pra deixar sair de mim, se fosse...viva, é como me sinto hoje, é como gostaria de estar todos os dias de minha vida...viva...mas é como estou hoje, querendo ir e voltar, sair, ficar, tudojunto e tudoaomesmotempo...uma inquietação, excitação, umas vontades, uns desejos, um calor...viva...mil vivas ao direito de estar viva, ainda que não todo dia, ainda que não toda hora, mas ainda assim por vezes ou outras viva...parece até que sol nasceu pra mim, parece até que as paredes que rodeavam rodavam e piruetavam e eu também...parada não podia estar...e mesmo que o sol se ponha no dia de hoje, e mesmo que venha um outro amanhã e mesmo que...o hoje me diz que é hoje que é...e hoje é dia em que estou mais viva do que nunca e até soar meia noite e viva que estou e assim eu vou ficar, ou ir, ou...se fosse pra deixar sair de mim o que hoje é...nada pode estar preso se a liberdade que tenho é a vida que trago e que em dias assim...se fosse pra deixar...eu deixo...vivaaaaaaaaa!!!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

já me bastava...

já me bastava estar lá, me bastava estar viva, ainda que não senti a dor parturiente, mas sentir no rosto a brisa já me bastava...já me bastava saber somente o que sabia, e as coisas que a cada dia descobria e redescobria e cobria, já me bastava...me bastava o quanto basta a uma qualquer, tal como sou, tão qualquer que qualquer outra pode ser e só isso já me bastava...me bastava olhar no espelho e ver o que vi, não desconfiar dos traços ali traçados por todos os dias que desenharam essa face que já me bastava, estava tão viva...já me bastava a fala mole, a boca torta, a nostalgia das quintas-feiras, o ouvido quase musical, as espinhas atemporais, os pêlos que ali nasciam, já me bastava quase tudo, que de tudo é quase nada, mas me bastava, estava viva...já me bastava abrir os olhos todos os dias, uns mais cedo, outros mais tarde, estava viva...já me bastava o alimento de consôlo, já me bastava toda aquela caloria, bastava até o dia que dei basta, já não bastava mais o que ali havia, nem espelho, nem alimento, chegava o fim da caloria...já não bastava estar viva, tinha que ter algo mais acima, já não bastava o que sabia, tinha que comer livro, tinha que escrever poesia...já não bastava o quase tudo, já que de tudo nada tinha...já não bastava os olhos abertos queria os abertos que olhavam e viam...já não bastava, até que deu basta...já bastava não ser oca, ter comida e bebida, já bastava ter perdido tempo e saber que tinha algum dele no bolso ainda...já bastava a primeira parte, a do meio e a parte finda...já bastava ter ainda, nesse tanto de vida, umas palavras que bastava pra dizer, ainda tão viva...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

uma liberdade...

como é bom poder não pensar em nada, não ter censura, não ter vergonha, não ter medo de nada, estar lá e ponto final...como é bom poder ter os pensamentos tão livres que seja possível ir lá sem sair do lugar...como é bom poder ver a fumaça que sai e não ter que ver desenhos nelas, não ter que ver nada além de fumaça que sai...poder escrever palavras que não dizem nada com nada e do resto nada com nada também...como é bom poder perder horas que estariam perdidas se fossem aproveitadas com toda retidão...sentar na sacada com uma saia rodada, acender um cigarro que nem ao menos será fumado, ver a fumaça correr livre pro espaço, olhar a luz que brilha ali, aqui e lá...poder olhar e ver sem o compromisso intelectualóide das perguntas e respostas que fazemos ao universo e as outras tantas que surgem e surgirão...poder ser tão livre quanto se é capaz de ser...ver que as coisas boas não vem lá do fundo de um fundo sem fim...pq o que nós somos é isso aqui mesmo que se apresenta agora...e esse lá no fundo d'alma na verdade não existe, a profundidade de um ser é isso aqui, essa largura de cintura e peito e osso e que lá dentro não tem nada além de nós mesmos e saber que só isso já é suficiente pra ser algo que vale a pena...que não é preciso passar horas te(rr)orizando e divagando e interiorizando o que na verdade é tão mais simples do que sopro de vento...descobrir que a verdadeira liberdade, essa minha liberdade que não interessa e talvez nem sirva a mais ninguém, essa verdadeira liberdade é só isso mesmo que vejo no espelho todos os dias, saber que muitas das perguntas não precisam nem ser feitas, e muito menos respondidas...e que essa minha liberdade vai além dessas profundidades rasas, que de tão fundo que vão dentro de si mesmos, que saem de si sem ao menos perceber...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

!!!

eu conheço gente de verdade...daquelas que andam, falam, dormem, acordam, aquelas que fazem xixi e passam mal depois de comer comida estragada...eu conheço essa gente e ontem estava rodeada por elas, não todas as que conheço, mas a maioria delas...gente de carne, osso, gordura, pele, defeitos e belezas inigualáveis...gente que ouve quando alguém fala e que quando não ouve, quem fala sabe o motivo...gente que ri e chora ao mesmo tempo...pq isso é possível sim...gente que abraça e sente as carnes dos outros e que se deixar sentir tmb...gente que não se preocupa com as exterioridades sempre, mas que uma vez ou outra repara nisso, gente que erra e nem sempre percebe que errou, mas sente se o outro ficou "sentido"...gente que pula abraçado...gente que come junto e faz, hummmmmmmmmmm todo mundo no mesmo (sus)respiro...gente que gosta de colorido, mas que não despreza nem preto, nem branco...gente que respira e suspira com exatidão...gente que erra com perfeição pq aceita que o erro faz parte dessa loucura que é estar aqui...gente que está de verdade onde quer que esteja, naquela hora, naquele lugar e que se foge de vez em quando é por um bom motivo...gente de verdade que sente frio e treme quando bate um vento...gente de verdade que sua com o calor e fica vermelho no rosto...gente que brinca sem vergonha do pensamento alheio...que bate palma na hora certa e na hora errada, pq hora certa e hora errada dá tudo na mesma...gente com cabelo certinho e outros desgrenhados, gente que fala bobagem e ainda ri das próprias bobagens e ri das bobagens dos outros...gente que bebe cerveja, suco de frutas, coca-cola e água com gás...gente que bebe "gato-rade"...gente que corre e chega e já vai, mas que deixa um pedaço seu com quem fica pra trás...gente que rima...eu conheço gente de verdade e saber que essa gente existe, mesmo que não estejam sempre ao meu lado me faz ser de verdade...me faz bem saber que eu "tenho" gente de verdade e que qualquer dia desses posso estar andando pela rua e receber um abraço forte que é de verdade...reconhecer um grito com meu nome que é verdadeiro, eu conheço umas pessoas que são pura verdade e elas me fazem um bem tão grande que numa mensagem de blog não cabe isso tudo que elas fazem por mim e dizem ainda que eu faço por elas tmb...são pessoas de verdade...suas coisas são verdadeiras até quando são de mentirinha...e eu sou agradecida por poder ter por perto, ainda que distante, pessoas assim...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

...

vá até lá e seja você mesma...as palavras ecoam em minha mente até agora...como eco interno que reverbera pra fora de mim, diapasão...seja você mesma, a coisa mais simples que se pode pedir pra alguém fazer...ser...mas porque tal eco...porque a não conformidade...conformação...aceitação...realidade...verdade...interior...verdade...ilusão... verdade...mente...corpo...dor...verdade... quem sou eu mesma naquela hora e naquele lugar...quem sou eu mesma em qualquer hora e em qualquer lugar...a pergunta não cala, fica ali dia e noite, indo de fora pra dentro e de dentro pra fora...reverberando... esse sorriso é meu, o piscar de olhos é meu mesmo, o suspiro forçado sou eu, esse corpo sou eu, essa memória sou eu...o que realmente é meu, será que alguma coisa pode ser considerada de alguém... será que os outros sabem o que sou eu...já que nesse momento eu mesma não sei... e saberei algum dia...me perco nessas perguntas, me perco em mim mesma tentando saber se mesmo perdida assim essa sou eu... e quem algum dia poderá me responder... eu mesma terei resposta pra essa questão... seja você mesma, uma voz interna que me persegue pelas ruas que ando, na hora do café da manhã, na estrada na ida da viagem de ontem, na volta e no mesmo ponto me esperando, aquela voz que será que sou eu mesma que falo por dentro e quero saber o que de fato é ser eu mesma o tempo todo... o questionamento enlouquecedor que não dá respiro, não respira só ecoa... seja você mesma agora...seja você mesma aqui...seja você mesma já...seja você mesma ali...simplesmente seja você mesma...não precisa fazer mais nada, seja você mesma...mas o não fazer mais nada será que sou eu...quem tem a resposta que eu mesma não tenho...e os outros estão sendo eles mesmos ou mentem pra si e para os outros que estão...e depois disso alguém já conseguiu dormir sem acordar no meio da noite assustado com os gritos de seja você mesmo...alguém depois disso já...alguém...já...seja você mesma agora!!!...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

mais uma vez...

mais uma vez eu quis ser forte de um jeito que não sou...quis passar por cima de mim e do que sinto, sem saber que pior seria nada sentir...mais uma vez me recriminei e me deixei levar pelos outros para um outro lugar que nada tem de meu, nada tem de mim, e quando voltei já era tarde demais pra voltar atrás...era tarde demais pr'um tempo que não passa nunca, não passa, está parada como num vácuo, assim como eu ainda estou parada no vácuo daquela maldita hora que não sei se algum dia vai deixar de ser...e por que nos sapatos, porque...eram dois sapatos diferentes que diziam tanto de mim quanto de ti, era um sapato que me lembrava o par dele quando ainda era uma criança, um tempo de felicidade que me fez ser como sou, essa de horas de riso infindo e outras de choro incontido...uma espécie de incontinência lacrimal, é assim que fico me descrevendo pra mim mesma quando acontece algo assim...fico me culpando e depois me desculpando, mas dói muito mais não poder te desculpar, me desculpar pra ti...dói mais não poder seguir em frente mesmo que seja num pé só...um outro pé de sandália que me lembrou toda a liberdade que me dei durante toda vida e que me fez perceber que essa mesma liberdade me aprisiona, me deixa só quando não quero estar assim...e as lágrimas foram só o resultado de algo que está tão encalacrado que não sei se algum dia estará em outro lugar que não em mim...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

a bem da verdade...

a bem da verdade é que os caras são uns tremendos filhos da puta, de qualquer maneira são uns filhos da mãe e sabem disso, e nós o que mais podemos fazer, é claro que não temos forças pra lutar contra eles, eles sabem disso e se aproveitam da situação, nos deixam de mãos e pés atados, é uma ditadura, ditam o que devemos fazer e nós vamos lá, cumprimos como cachorrinhos, e quem é que será capaz nessa ou em outra vida fazer frente a isso, nem nessa e nem em outras tantas, nem nessa e em nenhuma delas...não há como coibir, nem por meio de luta, nem tampouco por decretos, movimentos ou sei lá o que...realmente eles são tão fortes que estão fazendo isso a tantos anos e nada, nada de nada mesmo, são uns verdadeiros filhos da mãe...nenhuma alma viva em tantos anos conseguiu surtir qualquer efeito contra a esperteza deles...mas é certo que foram anos e mais anos arquitatando o golpe fatal que nos trouxe até o exato dia de hoje e essa situação que vivemos, é certo que eles maquinaram tudo em suas cabeças, nos mínimos detalhes para não haver falhas e pra que nada pudesse derrubar esse império...e nós o que fizemos, nós aceitamos passivamente essa situação...como de costume companheiro...mas eu ainda penso que deveríamos fazer alguma coisa, afinal de contas onde é que estão os nossos direitos...os direitos humanos, qualquer tipo de direito...deveríamos fazer uma revolução armada pra ser mais radical...deveríamos desencadear um movimento idealista...apenas alguns protestos e abaixo-assinados...alguma coisa deveria ser feita...bom se vamos fazer alguma coisa eu não sei...mas eu já não aguento mais, e eu admito que sou fraco e que não tenho ímpeto pra tanto, mais uma vez seremos vencidos, como de costume...garçom...traz um(a) de garrafa...puta merda...puta que pariu, puts grila...mais é muita covardia, olha só o barulhinho da garrafa abrindo, parece um sussurro pro pecado, um grito para bandalheira, um convite pra transgressão...e essa coisa das bolinhas de gás que vão se matando uma a uma em contato com o copo, ai, é quase poesia viu...é quase um convite a balburdia...e o copo ficando suado...deve ser de nervoso, tem boca e não bebe...deve ser uma espécie de arrepio vítreo...e ainda por cima em garrafas grandes...dai já é covardia da grossa...garrafa grande é pra escravizar ainda mais...sabem da nossa fraqueza, não deixar restar nada...sempre mais um golinho só pra terminar, a velha mania de não desperdiçar...é tudo muito bem pensado...arquitatado, planejado, articulado, eles são os maiores filhos da mãe da história da humanidade, não eles são os melhores filhos da mãe de todos os tempos...maiores ou melhores, sei lá...mas que são uns filhos da mãe isso são...

sábado, 4 de outubro de 2008

uns dias mais...


eu já sei mesmo que não engano ninguém com essa minha carinha...não sou santa, não sou nenhuma das tantas santinhas para as quais já rezei...disso eu sei...mas sei também que ninguém mais me engana na vida...essas caras prontas que andam circulando por ai, já não me fazem mais pensar que sim ou que não...esses dias mais que presenciei me fizeram ver com uns outros olhos que não são todos os que tem...e é triste de saber, que bato o olho e já sei...e é muito triste não ter mais a expectativa do que pode aparecer...bato o olho e já foi...essa carinha de boa moça, rapaz de família, essa outra de intelectual, homem de "negóciosfielàesposa"...essa de mulher decidida, essa de fofurinha, essa de "humildinho"...sem essa pra mim...é bater os olhos e ver o que os outros por decisão ou ilusão não sabem...essas carinhas já não me enganam mais e disso eu sei...será que algum dia você vai saber também???...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

o primeiro de outros tantos...

é que era o meu primeiro dia na escola, minha mãe se despediu com um beijo na testa e me entregou minha lancheira...e a escadaria era tão longa e meus passos tão curtos...é que minhas pernas pareciam muito mais curtas do que sempre foram...é que eu já não sabia mais de muita coisa...mas a professora me disse que tinha que ser mesmo assim, sem saber de muita coisa, e um abraço abrandou tudo o que se passava por dentro e por fora de mim...só um abraço e nada mais...

sábado, 27 de setembro de 2008

um exúzinho...

é que dentro de mim tem um deles, isso mesmo aqui dentro tem um bem pequeno e ele as vezes fala comigo...fala umas coisas que eu não entendo, mas tem dias que fala alto, quase grita mas eu nem ligo, só que hoje ele falou de modo que eu entendi...escutei direitinho quando ele me disse...nem parecia que era ele falando, parecia eu mesma tendo uma conversa comigo mesma de dentro pra fora e de fora pra dentro...mas era ele, lá escondidinho, falando e falando...e eu aqui fora escutando as coisas lá de dentro...no começo eu não dei muita bola pro que ele disse, mas depois era tão certo tudo aquilo que não resisti e comecei uma conversa muito franca, ele falava e eu ouvia, poderia ser mais franco?, acho que não...achei meio esquisito, parecia conversa de louco, conversar consigo de dentro pra fora...mais sei lá, vai que já fiz isso outras vezes mas não percebi...vai que já...e ele começou me contando o que já tinha acontecido e que eu tinha esquecido, como sempre faço com as coisas que não gosto, esqueço e pronto...e depois me rememorou os achados e perdidos de todos esses anos, isso mesmo! ele estava lá todo tempo...sempre comigo, lá dentro só observando...tomei uma colher do iogurte de mel e acho que ele tomou um pouquinho...e ficamos ali conversando...me deu vontade de fazer umas loucuras que ele me dizia pra fazer, mas é que eu estava sozinha...dai não deu pra fazer anda daquilo...mas se eu estivesse com alguém...e foi passando o tempo e nós ali naquele papo...me esqueci até que achava esquisito conversar com ele...descobri que no dia daquele episódio que nem vou comentar era ele que me disse pra fazer aquilo...e eu nem me lembrava de ter conversado com ele naquele dia, mas também no estado em que estava...me disse também que já aconteceu outras vezes...imaginem só, ele lá dentro e mandando e eu nem tchum, nem sabia que ele existia...e comecei a ficar meio cansada, meus olhos pesados, mas a vontade de aprontar o que ele me disse não passava...só que fui perdendo os sentidos, fui perdendo, perdi...mas dai acordei noutro dia na delegacia com uma roupa que parecia descartável...a cara toda amassada e uma maquiagem inacreditável toda borrada e uns sapatos vermelhos lindos...chamei o Seu Guarda, gritei um pouco já que ninguém aparecia...ele veio já de cara virada...perguntei se alguém podia me explicar o que estava acontecendo...ele me disse: isso mesmo mocinha, toma todas, se droga a vontade de noite, sai na rua peladona e com um par de sapatos vermelhos em plena rua XV e depois acorda no "hotel" e vem encher o meu saco pra saber o porquê de tudo isso, faça-me o favor...só não me venha com aquela baboseira de ontem, quando chegou aqui ao distrito...e eu: baboseira?...é aquela de que você sozinha não teria coragem, mas perdeu no palitinho pra um exú e fez isso pra pagar aposta...não me venha com essa que dentro de você tem um exúzinho...

mais um dia...

não precisava ser uma daquelas camas que giram sem parar, podia ser qualquer uma delas, com lençol vagabundo de algodão, colchão de palha que "pinica", podia ser qualquer quarto, qualquer um deles, sem espelhos ou luzes ou qualquer uma dessas putarias...hoje podia ser qualquer coisa mesmo...já que hoje é um dia daqueles que eu sei que vou me revirar por todos os lados, por dentro e talvez até por fora...é mais uma daquelas noites sem saída que não vou dormir e que você não vai ligar, você não liga, já não sabe das regras, já não sabe das nossas vidas...é ridículo acordar um certo dia achando que todo ser humano neste mundo é igual, é ridículo como estampa de bolinha ou de flores grandes ou das miudinhas...achar que se sabe quem está ao seu lado ou na frente e quem vai te esfaquear pelas costas...seria melhor dormir até tarde e deixar pra acordar noutro dia...se eu pudesse te dizer pra não fazer isso, não faça...por favor, não...mas essas horas você já está dormindo e sonhando com o dia de amanhã...imaginando o que vai estar vestindo, como vai estar se sentindo...pois vou lhe contar tudo antecipadamente, quem sabe desce pra pegar um copo d'água e vê esse recado piscando na tela e resolve dar uma lida antes de voltar pra cama...vou fazer um resumo um tanto cruel, mas que lhe servirá muito bem nessa hora da "madruga"...amanhã você vai acordar bem disposta e não vai nem sequer sonhar com o que vou lhe dizer, mas isso vai acontecer, escute o que te digo...aconteceu comigo e com todos os outros que vieram por esse caminho...amanhã seus olhos vão estar brilhantes, sua pele vai estar tão boa que parecerá porcelana, qualquer roupa vai lhe cair bem, qualquer uma delas vai parecer ter sido feita sob medida, o cheiro que você vai sentir será diferente e não poderá comentar com ninguém, para os outros será um dia como qualquer outro...mas você sentirá o vento passear pela sua pele e lhe parecerá que o dia está ensolarado, daqui algum tempo, escute o que digo, não vai lembrar de nada disso...quando pensar em tudo o dia já será findo e você já terá feito...estará deitada nua na cama de sua casa rindo...talvez ou, é quase certo, ao seu lado haverá um outro sorriso...depois disso você sentirá algumas coisas que já lhe são comuns, e a cada dia uma delas vai se perder no caminho, o toque, o gosto, o cheiro, olho por olho, até a boca e a saliva, será tudo perdido...você sequer saberá que lhe falta um pedaço, esteja ele morto ou perdido...vai sentir falta de alguma coisa, como aquela vontade de comer indefinida, aquela que você sabe que tem que ser na hora quer der a vontade e que tem quer uma coisa gostosa, mas não faz a miníma idéia do que é que pode ser tão bom como você imagina...as coisas vão estar sempre fora do lugar, nunca mais vão encontrar o caminho...seus olhos vão se tornar opacos de uma vez, as promessas não passarão de um documento lavrado em cartório e assinado por você, pelo outro e por umas testemunhas que não lhe darão nenhuma garantia...pode parecer muito triste, e é certo que em certos dias essas tristeza virá com força "sobrehumana", mas como tudo ela também vai passar, como as camisas e calças com friso, tudo será passado...e lá estará você acordada numa dessas madrugadas quem bem conheço, em frente a uma tela fria, sozinha...sozinha numa daquelas solidões que cortam a frio ou a quente, aquela solidão que te incomoda porque você não está sozinha...mas está só...ficará se perguntando desde quando está tudo tão perdido, porque nenhum de vocês fez nada para que isso não acontecesse, não terá respostas, só umas meras lágrimas escorridas...aquelas que não mancharão tua maquiagem já que a face já se faz a tempos descolorida...vai gastar uma meia hora com essa fase, que se tornará desnecessária e você possivelmente vai ficar escutando alguma música que lhe faça chorar, já que sozinha não conseguirá mais essa façanha...ficará procurando a melhor delas pra lembrar o que sabe que deveria esquecer, mas quase esquecer! sabe Deus o que pode vir depois, depois do esquecimento, meu Deus o que viria...talvez chore mais um pouquinho e só, não vai querer dividir o lençol de seda por nada nesse mundo, nem mesmo o calor que se tornará frio e insuportável...não vai nem querer ouvir a respiração, tudo vai te irritar com uma voracidade que você poderá desejar cometer ato insano...mas ficará ali sentada...em frente a tela, olhando no relógio pra ver que horas são de um novo dia que não muda nada...ficará imóvel, como ficou desde aquele dia...pensará em coisas que não devo mencionar...talvez até naquele outro, e nesse momento vai tocar aquela música que lembra justamente o outro e você sequer vai notar que primeiro a música tocou e depois então você lembrou do nome dele...acreditará por um segundo numa tal de sincronicidade que você vive falando porque ouviu da boca daquela sua amiga, mas nem sabe ao certo o que significa...vai olhar uma foto antiga, uma foto que é nova, mas pra você mais de 15 dias já passa para a antiguidade...vai suspirar de leve para não acordar ninguém que já tenha dormido...vai beijar a própria mão imaginado ser amada, vai tocar seu próprio corpo e sentir algum arrepio fajuto...a essa hora até uma lagartixa morna a arrepiaria...a música já acabou e você ainda pensa no dito cujo que não se lembra sequer que algum dia lhe conheceu na vida...e você se sentido um lixo! que em parte você é, assim como todo ser vivo...digitando baixo pra não fazer barulho...e pensará no amanhã como um dia definitivo, não vai perceber que o amanhã já é hoje...vai decidir dar um fim a tudo isso...vai derramar mais algumas lágrimas se ainda tiver alguma...olhará as malas e pensará como seria bom poder arrumá-las para sempre, isso lhe dará uma sensação de morbidade que será resolvida com três toques na madeira, um palavrão de putaquelamerda virá a tona...você vai jogar paciência e deixar tudo como está...naquele dia que te relatei ali em cima...quando o papel tocou a caneta e você acreditou que uma folha de papel mudaria tudo você vendeu sua alma para alguém que nunca poderia lhe pagar o que ela valia...

moragos e mofos e moranguinhos...

eu não sei pra que serve uma coleção de bonecas se você já não brinca mais...eu não sei qual é a vantagem de ter uma estante repleta delas enchendo de pó e amarelando como só o tempo sabe fazer...eu já não entendo mais o que isso significa, se não é pra lhes escovar os cabelos e trocar os belos vestidinhos para que serve?, se não é pra sentá-las na mesinha que lhes pertence e tomar o chá das cinco pra que serve aquele monte de lixo em uma prateleira de madeira e mofo...se é só pra bonito o que já não tem beleza, então como é que se chama isso, uma coleção de bonecas mofando como velhos morangos na casa de alguém alérgico...mofando...é, talvez eu esteja enlouquecendo aos poucos, bem devagarinho, enlouquecendo cada vez que durmo e outro tanto cada vez que acordo, todas as vezes que atravesso uma rua ou como um lanche, assim como todos que conheço, assim como todo mundo...é que se fosse uma coleção de carrinhos talvez não me faria tão mal, não me irritaria tanto...mas a de bonecas e seus vestido, os vestidinhos...deve ser porque elas me lembram uma porção de coisas e dia desses acordei e vi que essas coisas não estavam mais lá....eu já tinha esquecido...e procurei em todas as gavetas de vestidinhos e não restava nem sequer um bilhetinho pra dizer o que é que eu queria lembrar, mais tinha esquecido...e é sempre horrível esquecer uma coisa que sabemos ter esquecido...assim como deve ser horrível ser esquecida em uma prateleira com vestidos mofados e estampa de moranguinho, que vai mofando todo dia...um pouco de mofo a cada pouquinho...

um empate no embate...

a porta já está aberta, já não resta mais o que pensar nem mesmo o que discutir...as malas já estão prontas e essa viagem agora é só sua...mas já faz muito tempo que estou assim tão órfã e não me lamento pelas coisas como fazia quando ainda estava viva...os programas de domingo já não me sensibilizam, e minhas lágrimas já não correm mais enquanto toca a velha radiola, minha sede ainda é a mesma, mas já não estou mais tão faminta...eu prometo que não vou repetir tudo aquilo que nunca te disse, mas que você jura que já ouviu...eu prometo, como todas as coisas que já prometi e sempre cumpri, ainda que você diga que nada disso foi cumprido...eu prometo se é que ainda há tempo para isso...se é que ainda há algum tempo comigo...hoje as facas são tantas que já não resta nenhum espaço vago nesse infinito que se formou aqui, já não há sequer gota de oceano que não tenha escorrido...eu mesma arrumei as malas e espero que goste do que coloquei por ai, são as coisas que sei que vai precisar e que eu precisaria se ainda estivesse tão viva quanto naquele dia em que te vi pela primeira vez...é feio morrer um pouco a cada dia, não tão feio quanto matar dia após dia, mas nem só tão belos nos descobrimos no meio disso tudo...é uma pena que você não saiba o que é desejar alguém para sempre e ainda continuar desejando quando o para sempre já não é mais tão desejável...é uma pena mesmo...é uma pena que sua pele já não sinta o vento que bate em tardes de frio e que arrepia fundo, é uma pena que você não saiba mais que não é só vento na pele...ver escorrer pelos dedos e não saber que é simples, basta fechar os dedos, é simples como quase tudo tem um lado de simplicidade...desde o desejo até o arrepio...mas agora já não é mais preciso, as malas como já lhe disse estão prontas e o bilhete agora passa a ser só de ida...e sei que isso não passa de um empate no meio deste último embate...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

nanocomunicação

lentamente se aproxima e se sente a respiração que primeiro toca a pele ainda morna da boca semi-aberta...se sente a pele do outro que toca a pele que fala da boca pra fora...e de leve, sem pressa, sem trauma, sem pretensão a boca do outro toca os lábios da minha boca que já espera ansiosa por uma certa violência, por uma certa invasão...que ávida abre-se e morde a pele sensível do outro lábio e que sente a mordida lhe colher os frutos e que instala ali aquela certa violência desejada por fim...e que uma vez instalada a força se aproxima e faz com que o toque leve dê lugar a uma imensidão de sensações, a força traz à boca a profundidade que ela sempre teve mas que por tempos ficou escondida debaixo das palavras que dali saiam...e com posse a boca alheia se torna parte da minha, que forma na outra uma junção que leva a um lugar onde nunca estive ou não mais lembrava...e a saliva morna embebe a boca que define com a língua o contorno da outra que ali está soldada a sua...e o olho permanece fechado por fora mas se abre por dentro para inúmeras possibilidades, e o calor poderia se tornar insuportável diante de tanta proximidade, mas se torna suave...e o contar do relógio já não representa realidade quando está a minha boca colada a sua nessa "nanocomunicação", o tempo nessa hora, em que a minha na sua se encosta, se torna lânguido e preguiçoso...se esquece o que há fora deste universo interno e te devoro com saliva, mucosa e pele e você, me devora pela alma que me toma quando encosta a sua boca na minha e me deixa um pouco de ti e me leva um pouco embora...

mais um dia de sol...

hoje eu acordei com aquele gosto de sei lá o que na boca...era um gosto que estava no corpo todo e logo me perguntaram de que era esse gosto e eu sei lá do que...abri meus olhos imaginando não estar nem ai pra vida, pras coisas de dentro e até mesmo pras de fora disso aqui...mas no fundo, bem no fundo daqui eu estava bem ai pra isso tudo que lhe disse ontem a noite na hora em que você já dormia e eu ainda dizia e você já não estava mais ali...bem naquela hora de ontem a noite em que eu te contava meu sonho e você dormi com os seus e os meus já não faziam parte de tudo aquilo ali...e meus olhos foram se fechando pra tudo o que me rodeava e já não sabia se dormia ou acordava, já não sabia mais dessas coisas sem gosto, ou dali ou daqui...e quando eu abro de novo os olhos que agora pouco fechei, pela brecha da janela que estava naquela, vem uma nesga de sol e o dia já começa outra vez...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ensaio...

aqueles R$ 9,50 estavam lá, eu me certifiquei antes de entrar no mercado, nada de barulho, algumas notas, uma moeda e mais nada, e mais nada de nada mesmo...entrei com a lista mental que tinha, peguei a cestinha, já sabia que não era possível carrinho...fui circulando pelas prateleiras, olhando as coisas que haviam por lá como se quase nunca estivesse naquele lugar, fui olhando e colocando na cestinha o que era necessário, riscando da lista imaginária cada item que cumpria...desejei isso, aquilo mais pra frente, outro negócinho mais adiante...satisfiz alguns desejos, coloquei alguma coisinhas que não faziam parte da lista de prioridades na cestinha, era abnegação demais pra alguém como eu não colocar o que quisesse dentro do compartimento de carregar compras, hãn cestinha...os pães!, os pães de minuto que terminam em segundos, linguiça, couve-manteiga, será que precisa de batata minha lista questionou, rememorei a geladeira e achei que não...preferia os "pãezinhos" de minutos (os que seriam devorados em milésimos de segundos), pão de queijo, se eram tantos pães seria melhor a padaria...e pra fazer descer tudo isso, refri, sempre a primeira escolha tem que ser refri, refri de marca é claro...ah, o "pudinzinho" de leite daqui não dá, tem que ter espaço na cestinha pra um desses...só R$ 1,59, hummm...o pudim de leite condensado...essa quem falou foi minha barriga inteligente pra assuntos alimentares e superflúos...e agora caixa-rápido-demorado ou caixa-demorado-rápido, acho que o caixa rápido lesma mesmo, assim dá tempo de somar, puxa, me lembrei, só R$ 9,50...vixi, conta de cabeça, que saco eu não engatinhei quando bebê, não sei somar de cabeça direito...tá, vamos lá, arredondando fica mais fácil...aiai, vai passar, não acredito, vai passar, vou pagar o que faltar com o cartão do banco...não, não vou, sem cartão dessa vez...lembre-se seu bolso só tem R$ 9,50, algumas notas e uma moeda, nada de cartão por lá...eita, vou ter optar, mas não vai ser tão difícil, vamos ver...primeiro o que é mais necessário...vamos lá...pudim de leite, linguiça, refri de marca, couve, pão...mais passa um pouco mesmo assim, será que ele dão desconto aqui...acho que não, é um mercado né...bom, vamos ver...pensa cabeça...pensa...claro, trocar o refri de marca por um sem marca...isso, aquele que eu tomava quando criança e que deixava bigode já serve...opa, beleza, vamos somar de novo...ainda passa...que droga, e agora, não dá pra tira mais nada, será que deixam lavar só metade da linguiça...acho que não também...quer saber, vou passa assim mesmo e tentar uma negociação da minha pendência...credo que feio, fiado no mercado...não vendemos fiado, aquelas placas de boteco, secos e molhados...meu avô tinha um secos e molhados, lá certamente eu teria crédito...ela "tá" me chamando, vou passando aos poucos...primeiro o pudim ,faça-me o favor também...isso, mais isso, quanto deu até agora moça?...acho que vou leva isso tmb...então...oba, sobra dois reais...vou leva os pães de "segundo"...delícia com leite...será que tem leite?...acho que tem...mas o pão de queijo vai ter que ficar...ah, não acredito, sem pão de queijo por hoje...
sabe que acho que vou escrever um texto, livro, sei lá...que pode virar filme...sei lá...algo do tipo ENSAIO SOBRE A POBREZA...sei lá...outra hora penso nisso...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

na estrada...

idas e vindas infindas...eram tantos os que passavam por lá que me fizeram parar por um momento pra pensar...pensei em Ana, Pedro, Carlinha e Roberto...uns quadrados...uns quadrados que serão presos em outros quadrados de quadros repetidos, fotos que se sobrepõem...e serão vistos por outros olhos que não só os da minha mente...logo logo...

a delicadeza do olhar...

meu olhar cuidando de cada detalhe entalhado no tempo, cada curva, cada nó, cada coisa que passava por lá...e então foram presos por aquela visão...uma cena de uma delicadeza que quase não é possível descrever...uma pintura, uma fotografia que ficará por muito tempo registrada em minha memória (emotiva)...ele estava lá, ao lado dela e fazia questão de estar...tinha em seu peito algo pouco comum, mas algo que lhe tornava tão vivo quanto a própria vida...protegia do sol, da vida, do vento nos ouvidos, lhe protegia de tudo o que pudesse...ele estava lá, com uma criança em seu colo, tal um canguru, com sua cria na bolsa, e aquela bolsa de tecido que já fazia parte de seus tecidos vivos, fazia parte de seu corpo, era seu...a solidão, estava claro em sua mente, nunca mais poderia existir, não para ele...e a comunicação dos dois se estabelecia a cada momento, eram gestos, olhares, toques, cumplicidade, uma cumplicidade que não existe senão ali...procurou a sombra, escondeu do vento, mostrou aos outros com orgulho, fez findar o choro, fez se prender ao sono com um leve balançar...fez...estava tão lá que não poderia estar em nenhum outro canto, nem mesmo em pensamentos...estava apenas nele...não era uma mãe e sua cria...era um pai e seu filho, tão conectados que nada precisavam fazer para saber da existência um do outro, não precisavam de mais nada, estava os dois lá, um dentro do outro em tamanha harmonia que o mundo estava destoando daquela visão...não era necessário o pano de fundo que se fazia presente...não era necessário que houvessem outras pessoas por lá...eles estavam juntos daquele dia em diante e sem saber até quando...e eu os observava de longe, sem que ao menos se soubessem observados...e meus olhos não podiam crer...estavam presos á algo tão maior do que muitas coisas bem grandes que já havia visto...era apaixonante ver aquela cena...era único ver algo que te pertence e que te faz pertencer também...era indigno ficar vendo de fora algo tão íntimo, tão profundo...era profano naquele momento o meu olhar...mas eu não podia fazer mais nada, o magnetismo me impedia de fechar meus olhos ou desviar o olhar...era apenas um pai e seu filho, nada mais do que isso...podia ser uma visão tão comum que nem chamaria minha atenção...mas o que a cena emanava, o que continha em seus detalhes, cada passada de mão na maciez daquela pele, cada deglutir daquela mamadeira segurada com paciência, cada embalo daquele soninho...era vida demais para não se olhar...era como viver um pouco mais apenas de olhar...mas era só um pai e sua cria...nada mais...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

tempo...

o bom desse tempo, que não nos dá quase nada, só nos tira, o bom deste senhor...é que com ele eu já não preciso mais dizer aquele "eu te amo" rasgado...já não preciso mais pronunciar estas palavras por vezes doces e por outras tão pesadas...depois de tantos passares já não é mais preciso...quando eu seguro na sua mão e meus olhos estão nos seus...eu já não preciso dizer mais nada...tudo já está dito...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

calma, clama, ...

quando tudo escurece e se pede uma calma que não se pode atingir, não daquele jeito, não naquele momento...e que os olhos se mantenham fechados dentro do pano, mesmo que eles teimem em abrir...e se sente sozinha e abandonada, incapaz de seguir em frente sem saber onde ir, com medo de esbarrar num futuro qualquer...e logo uma mão encosta com firmeza em seu ombro...uma mão que te faz ver o que já imaginava não ser possível...e fica cada vez mais raro querer a luz que vem de fora...outra luz se forma e como em útero materno é melhor estar ali...se aconchega em mãos que desconhece, mas que não precisa conhecer, palavras voam ao vento e são capturadas pela rede de pensamentos que se faz, quando a que vinha lá de fora já não existe mais...roda por lugares agora desconhecidos, imagina, sente, vive...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

uma caixinha de que?

...uma caixa de chocolates, uma caixa repleta de especialidades...era assim que me sentia , repleta de doçuras, cercadas de coisinhas boas...e existem essas coisas de dentro que não passam! e não passarão pois foram muito bem apoiadas, cuidadosamente articuladas por cada um de nós! pra que ficar guardando, fomos feitos para terminar bem gastos...e era assim...toda 2ª e 4ª nada de ficar sonegando emoções e coisas boas...nada de ficar guardando pra depois...e agora ficará tudo muito bem guardado dentro da nossa caixinha de chocolates...e dentro dessa caixa, o que tem?...umas gargalhadas escoradas em ataques de riso...uns péeeelos doutor...janeiros, fevereiroooooos, um pouco de brownie, fotos e músicas, chapéus, cartas de amor, até guarda-chuvas, caso chova, nunca se sabe...indas e vindas...carinho...serenata, vai corre e abre a janela queriiiiida...de tudo um pouco...mas e onde se encontra essa caixa de chocolates?...ai é que está, esse é um segredo guardado em outras caixas...é só procurar...beijo!!!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"NO TIME"

eu
digo
não
e ele passa,
ele passa mesmo assim,
vagando
sob
nossas
cabeças,
ele
passa
mesmo
sem
mim
...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

o tempo...

hoje o tempo passa sem freios no lado de fora de uma janela qualquer, dentro dela estou eu, dentro do tempo já não mais...e respiro compassado, com passado, um presente poder respirar assim, um dádiva, quase um dom...e respiro esse ar que me adentra e me sai, saio de mim...saio por essa janela de tempo que passa e me leva tempo á fora...volto pra dentro de mim...sinto o toque que me chega n'alma...um toque que me chega quando tantos outros tocam em um vão...conto o tempo em dedos da mão, conto como se houvesse o que contar, como história que passa e passa e se reproduz tempos depois...conto o tempo em dedos dos pés que me levam, que me trazem onde o tempo já não passa...dentro da janela em que tempo é coisa de fora...dentro da janela que dizem me ver na janela que eu deveria estar...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

visita 192785264 ao psiquiatra...

SIM! doutor....eu estou com uma vontade insana de fazer uma daquelas coisas que estou proibida de fazer, uma daquelas que te deixa com os poucos cabelos restantes em pé...daquelas bem cabeludas que te deixariam com inveja...estou segurando firme a cadeira como o doutor sempre me recomenda, estou respirando fundo, mas a vontade não passa doutor!...e agora percebo que é quase justo o preço exorbitante que me cobra por aquelas consultas relâmpago...é quase justo, pois quando o telefone da sua casa tocar a essa hora e o senhor der aquela corridinha torta pra atender, já saberá só pelo toque especial que o telefone faz, que sou eu...já terá certeza do que eu fiz...terá também a certeza de que talvez uma infinidade de consultas nunca sejam suficientes e que nem todo dinheiro do mundo poderá pagar seus préstimos...e eu por minha vez terei a certeza de que talvez nem todas as consultas do mundo poderão pagar seus préstimos e nunca será suficiente o dinheiro que lhe dou...teremos entendimentos diferentes como de costume, tudo é muito costumeiro quando se trata de nós dois...como se pudesse existir um nós e um dois nessa nossa matemática ridícula!...como se pudesse haver algo além de um palerma que fingi que escuta quando um outro palerma fingi que fala...como se pudesse...mas doutor, eu estou tentando ser firme em minha última decisão ou resolução, já não sei mensurar...mas é um daqueles dias que já lhe contei, mas que não custa relembrar tendo em vista as vistas de nossas visitas...é um daqueles dias que as coisas que planejei certinho não dão certo, que as coisas de que lhe falei que estão encalacradas em mim me fazem sentir náuseas, nauseabundo seria a palavras certa, mas me recuso a usar palavras certas nessa hora...doutor...é um daqueles dias que começa como se não estivesse com nada e termina como se não estivesse com nada...me entende, estou sendo clara, mesmo á essa hora da madrugada...doutor, nesses dias como já deveria saber, eu não sei o que se passa na cabeça das pessoas, a comunicação que eu nem tento estabelecer fica complicada e não sei mais o que fazer...tudo bem, eu nunca sei, mas hoje foi diferente, eu acordei como se soubesse, doutor, hoje como quem não quer nada o dia era pra ser diferente...mas já não sei se há diferença...doutor minhas mãos já estão dormentes de segurar essa cadeira e respirar fundo está me deixando tonta!...doutor eu não posso mais...talvez se não estivesse pagando tão caro pelas consultas eu até sentisse muito...doutor eu estou banhada de suor...doutor seu telefone vai tocar...eu não pude aguentar...o seu telefone doutor...doutor...seu telefone já está tocando...doutor...o senhor não está dormindo...doutor nós dois sabemos, e nessa hora existe sim um nós dois...ah, doutor, sabemos que tenho todo tempo do mundo...já está feito...vou lhe telefonar...
eu me cansei até de você que jurei nunca mais me cansar...jurei de pés juntos e tudo mais...cansei de olhar e não ver, cansei sem parar...e não pude resistir, o gosto amargo que fica depois de tudo, eu nem ao menos tentei resistir, eu não resisti...perdi a minha paciência num jogo de paciência que dizia na legenda "fácil", me perdi, já não sabia o que me valia aquele jogo...parei de jogar com o jogo na metade...o gosto amargo, teimo em não lembrar, memória fresca que me lembra o gosto amargo de tentar não se lembrar...hoje talvez não seja um bom dia para ouvir músicas, talvez menos ainda para tentar compor...hoje talvez não seja nem ao menos um dia...penso ainda na letra que fala do costume besta da mulher fraca que chora num canto de uma sala vazia...penso ainda mais uma vez em quem escreveu aquela letra, poderia ter sido eu num dia de fúria, naqueles que juro nunca mais chorar em cantos de salas vazias...choro quieta por horas nos cantos das que são intensamente mobiliadas, seria justo chorar na casa cor...seria não fosse apenas a letra de uma música frouxa de rádio am...rádio que nunca pega direito, música que ninguém pede e mesmo assim o locutor nunca toca...ela me dizia que acha aquilo tudo muito triste...eu pensava se acha realmente tudo muito triste ou se só acha que acha triste...me perdia diversas vezes, vermelhava o rosto! perdida em pensamento sem saber o que achava....me perdia...e noutro dia, farta de tanto prometer a mim mesma as coisas que já sabia que nunca poderia sequer prometer...neste dia, ainda chorei baixinho mais uma vez ouvindo aquela música que eu tinha certeza que era de minha composição e você tinha certeza que não...odiava quando a vida se resumia a um dia assim...cantarolava baixinho a canção, na mesma altura do chorinho de canto de sala mobiliada...cantarolava em seu ouvido enquanto dormia e dizia no fim que era de minha autoria...que sabe um dia...era o que você me dizia na hora em que abria os olhos na manhã seguinte e meio que sorria, mas isso eu já sabia que não era pra mim...aquele meu grito era sim! uma prova de amor...pena eu nunca ter podido provar isso á você...mas era sim...não, não é da noite pro dia que essas coisas se alojam no peito...nunca será...e esse nunca tem o peso daquele nunca das minhas letras de música que nunca serão minhas...é deste nunca que eu falo agora...e mais uma vez ela repetiu "são bem tristes"...e meus olhos chegaram a lacrimejar....ah, mas se os seus estivessem abertos como pareciam estar...os meus lacrimejaram sabia?...eram lágrimas que eu acreditava serem de verdade, mas que verdade é essa que muda a cada moda, a cada estação...nem as meias verdades estão mais em foco, mas as minhas lágrimas "demodês" eram de verdade, uma verdades das antigas...guardei num armário e tirei para pôr no sol esses dias, resolvi usá-la naquele dia...eram verdades verdadeiras..."donde eu penso"...acho que eu tenho certeza que era exatamente isso, se não me engano totalmente, ou se não estou totalmente enganada...mas também eram tantas letras que eu jamais saberia que inventei justo aquela que já havia sido inventada...na próxima vez pouparei tempo e lágrimas de canto e copiarei a mão mesmo letra por letra da letra toda...na próxima vez, pois esta vez ainda é esta e vou experimentar escrever uma letra de música que conte a vida de uma mulher, apenas uma mulher que de besta que é chora em um canto de uma sala sem mobilia...nada mais...

covil...

tem dias em que eu me sinto como uma cobra...que rasteja lânguidamente pela floresta à procura de calor...e ao encontrá-lo mente sobre seu tamanho para impressionar, hipnotiza e dá seu bote...tem dias que eu me sinto como cobra que rasteja a procura de uma presa, algo que pulsa, do sangue quente que não corre em minhas veias...esses dias tem sido bem comuns pra mim...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

caqui...

ela era assim...tal uma árvore de caqui, fiquei anos ali parada observando seus jeitos, seus modos, suas falas várias vezes por muitos anos...e chegado o fim , pude lhe dizer, como árvore de caqui...brotada em meio a terreno fértil, gostava de sol, era jovem, passou por secas, se adaptou, passou por chuvas e se garantiu...era tal um árvore, mas não qualquer uma delas, uma das de caqui...ficou vistosa e começou a produzir seus frutos...era isso o que dizia, frutos...eram grandes, eram verdes, eram indigesto...eram frutos do tempo...precisavam dele para se tornassem amistosos...precisavam de tempo para alaranjar, eram palavras adstringentes, precisavam ser adoçadas por alguém que bem o faz...e em algum tempo (e sol) eram doces suas palavras, ficavam amolecidas e tornavam-se atrativas a quem pudesse olhar...fazia pássaros cantarem mais altos em dias assim...fazia o sol querer brilhar mais forte...fazia...e depois dessa leva de doces alaranjados, se recolhia...esfriava junto ao tempo-clima que lhe mandava, escurecia, morria aos poucas dia após dia, queda após queda de cada uma de suas agora escuras folhas...achava que não sobreviveria...passava meses nessa solidão nua...ali nasceu, ali ficava...já não mais esperava por dias claros...já não mais esperava por nada...e sentia um formigamento nas pontas e ardiam os olhos nessa época...e vinha verde claro o que lhe nascia...e vinha...e novamente era vida...e novamente respirava e outro ciclo se seguia...encontrava as adstringências que logo se adoçavam...e era assim aquela sua vida...tal qual caquizeiro...e era assim que via as coisas, por meio de um verão e um inverno inteiro...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

em suas mãos...

em suas mãos entrego minhas coisas, que toca com cuidado, que me diz e me faz pensar, me faz tirar de dentro do peito o que há tempos estava encerrado...toca com cuidado em minha alma mesmo em dias que ela se encontra tão flácida e fria, me faz pensar mesmo sem querer fazê-lo, me faz pensar em como estão todos os meus ossos, todos os meus corpos e meus sentimentos nisso tudo, nessa caixa de pele e carnes e peles, os sentimentos onde estão, quanto disso tudo eles ocupam...retira de mim meus piores sorrisos e minhas melhores lágrimas, quando já não acreditava nessa possibilidade, me mostra mais de uma delas...ri das minhas mazelas, das minhas pobrezas e me diz que é o que deveria fazer também (sem ao menos falar)...retira meu ego, o segura em suas mãos gélidas e gentis, me faz ser eu mesma, me faz não querer apenas me representar...me dá apoio sem ao menos me tocar...me traz dores que me fazem lembrar que ainda estou tão aqui...deixa de castigo a minha criança mimada, me destrói e já vem com seus instrumentos me refazer, me faz em mínimos pedaços e me lembra como é ser minimalista, dadaísta, realista ou qualquer vanguarda que eu quiser...me faz pensar que estou roubando sorrisos, quando me oferece os seus sem que ao menos eu possa perceber...me cobre com sua sombra e me faz ver uma alma translúcida que cobre meus olhos e me faz respirar tão fundo que me reviro ao contrário, que me mostro nua, desmascarada em pleno baile de máscaras...pinga em meus olhos esse colírio, uma espécie de colírio da verdade que me arregala os olhos até a dor,dor da luz, dor da escuridão, juro estar cega depois de tanto disso, fecho meus olhos, derramo mais duas ou três lágrimas, passo por mil noites mal dormidas, acordo num dia de sol, saio sem meus óculos escuros...caminho pela "cale"...não cabe mais fechar os meus olhos, já não me cabe mais...sinto as dores tal qual parto...sinto todas as dores que nem são tão minhas, tomo gotas de sua homeopatia...vai demorar muito tempo para que eu me sinta curada...mas estou a caminho de uma verdade que jamais experimentei...uma verdade que se aplica direto na alma...neste conta gotas que carrega em seus olhos e que não me canso de olhar...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

sempre são bem vindas...

sempre são bem vindas...sempre me fazem acreditar que existe um novo dia, mesmo que esse ainda não esteja terminado, nada está "devéras" terminado...sempre serão bem vindas, ainda que passageiras, essas idéias de beira de estrada, esses sonhos passageiros feitos de nuvem, a lua cheia e encoberta...sempre muito bem vindas...essas idéias que nos furtam minutos e que nos fazem sonhar...como "A Colecionadora", que surge em um dia que já não esperava mais nada...

em santo...em vão...

é quando a solidão entra pela veia, corro com os braços abertos pela Paulista, de olhos fechados, está tudo tão calmo, hoje é dia de domingo...caminho pelas ruas, ando mais duas quadras, já estou perdida, macacos pendurados nos galhos destes prédios, nesta selva concretada sob nossos pés. e se eu estivesse mesmo aqui, como será pensar nas coisas de lá e se lá estivesse, no que iria pensar. são esses dias, quando se pensa que melhor seria não pensar em nada. são esses dias com cheiro de churrasquinho, em que os desejos são meros supérfluos, melhor sonhar...

dá série de contos curtos: "o telefone novamente tocou..."

e quando o telefone tocou neste dia eu soube que era você, o trinlindar era sempre meio melancólico quando se tratava de ti, não tive dúvida e usei uma melancolia na voz para atendê-lo, achei que lhe caia bem...mas uma vez você me ligou sem saber ao certo o que dizer, sem saber ao certo o que lhe fez ligar, mas uma vez eu atendi sem saber ao certo porque o fiz...mais uma vez...e derramou todas aquelas palavras por meio daquela linha que nos dividia ao meio e derramou como todas as vezes faz, e eu pausadamente ouvi, ouvi e desta vez me pus a pensar...por que raios as pessoas tem tudo e estão em meio a sua multidão particular e mesmo assim se sentem só...comecei a pensar e voei com aqueles meus pensamentos, enquanto você gralhava do outro lado coisas que já nem sabíamos mais o que queriam dizer...aqueles minutos que temos certeza que estão sendo jogados fora, mas que servem para alguma coisa, ainda que de maneira não tão clara...servem para voar com balões de pensamentos e tentar responder a perguntas que nunca terão resposta, talvez não sejam nem ao menos perguntas...servem para se olhar para as coisas que achamos tão sem graça e ver que muitas vezes nos dão o ar da graça...serve para pensar no por que das coisas e saber que ligações telefônicas com toque melancólico não tem porquê...o telefone tocou novamente, tocou no meio da manhã de um tom azul gélido, poderia ter tocado de tarde, ou em uma noite vazia...o telefone tocou com seu falar melancólico, mas em nada mais tocou...somente no aparelho que estava em cima da mesinha...e os porquês se perdem pelas companhias telefônicas e se perdem em contas astronômicas e se perdem as razões por que você ainda se sente tão sozinho...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

e foi passando...

foi passando como nuvem ao vento...foi se afastando e agora está tão longe que já não se vê mais...não se pode distinguir dentre o céu imenso que se apresenta...o que era dia de verão, o que era céu claro e aprazível...o que é o céu, que em instantes se fecha para chuva e chove, chove dentro e fora de nós mesmos, e já não lembra dos dias de sol e já não se lembra de como é aquele azul imenso que nos faz nos perder por lá...já não se lembra de tanta coisa, como naquele dia você também não lembrou...como se fechou em tempestade...como se fechou...raios e trovões que não pensava ver por lá...vi e não quis me lembrar...fui afastando de mim cada um dos pensamentos, fui soprando essas nuvens de perto de mim...fui afastando pensamentos, lembranças e tudo mais que pudesse me trazer a tempestade que se fez, quando ainda era dia claro...fui me defendendo da chuva como pude, abri guarda-chuva, que guardou pedaços daquele instante e que ainda está aqui...o que seria uma garoa e se fez tempestade em mim...o que era garoa e me molhou até a alma...tempestade que diluiu todas as coisas boas que vivi por ai...tempestade de fúria que não diz a verdade, tempestade que só molha sem necessidade...não se pode viver molhada por tal chuva, não se pode assim...e hoje seco os cantos ocos que ficaram...e ainda guardo o guarda-chuva...ainda...e quem sabe na próxima tempestade eu volte a abri-lo e volte a lembrar desta chuva e volte a saber que um dia de sol sempre pode se transformar em tempestade ou até chuva de granizo...mas lembrar também que nem por isso irei desejar viver em dias nublados, nem por isso irei me acostumar com as tempestades, nem assim...e foi passando, e foi passando e agora já não é mais....céu claro se abre novamente, céu claro que se abre para quem gosta de um céu assim...

sempre soube...


ontem foi aquele dia...você sabe, não é...aquele dia de todo mundo eu te amo...de todo mundo receba as flores...de todo mundo enamorado...engraçado que nunca deixamos de comemorar, qualquer que seja a data...e se for dia dos pais...comemoro como meu "paizinho

e se das mães sou eu sua "mãezinha" e se dia da bandeira, comemoramos a nossa a flamular sempre...e assim vamos de comemoração em comemoração...não que isso seja necessário, não que isso seja o essencial...não que isso represente alguma coisa...mas nos faz lembrar da alegria de ter o que comemorar e nos afasta da ilusão de que todo dia é dia de festa...sabemos da vida real, sabemos de como ela se apresenta diariamente mascarada em nossa frente, sabemos disso e de muito mais...e se no dia da árvore não pudermos comemorar a semente plantada em nós, não faz mal, logo haverá outra data comemorativa e brindaremos esse nosso jeito incomum de amar...esse nosso jeito infantil de adorar surpresas e presentes...esse nosso jeito de menino e menina que adora ter um dia só nosso, mesmo que esse dia os calendários não mostrem...aliás, o necessário mesmo é não mostrar...
em profundo play...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

é cedo...

ainda é tão cedo para dizer qualquer coisa que seja...ainda é cedo...é cedo demais para saber o que há de certo nisso tudo, para ver os erros, talvez cedo demais até para errar...o dia acabou de raiar e sinto que é cedo...cedo para sentir o que há tanto tempo já sinto...para saber das coisas da vida, para saber das tuas coisas em mim...é cedo do dia, é cedo do tempo, é cedo da vida para estar onde estou...mas estou aqui, cedo ou tarde...as coisas se movimentam tão lentamente que chego a duvidar deste tempo que me diz que é cedo ou tarde demais...chego a duvidar da existência de certas coisas, pois o tempo por vezes pára e por vezes corre e por vezes só passa...e se perdem palavras como cedo ou tarde ou tempo, se perdem coisas bobas que não nos dizem respeito...se perdem todos os tempos, pois eu sinto que ainda é cedo, mas não posso perder tempo, só me resta esperar...o tempo que for para que não seja nem cedo, nem tarde demais...fecharei meus olhos no encontro com os seus, cerrarei meus dentes para não lhe dizer, pois julgo que ainda é cedo para o que quer que for...te encerro em meus braço e duvido de quem duvide que isso se chame amor...e duvido de coisas bobas novamente e te olho por mais dois minutos e te olho...e nunca será cedo para esse encontro de olhos que nos diz tanto, mesmo sendo cedo ou tarde demais...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

de momentos...

quarta-feira...um toque que não toca, mas que demonstra todo cuidado que se pode ter quando há em suas mãos algo vivo...ter nas mãos algo vivo...tão simples saber quando estamos assim, mas tão difícil de perceber o real sentido que isso nos traz, as implicações de ser ter nas mãos algo assim...a pele íntegra, as carnes e ossos, tudo pulsando em suas mãos e você ali...defronte ao divino, contemplando o que de mais perfeito existe...ter tempo para parar ali e só olhar, ter a felicidade de poder tocar em algo que se entrega em suas mãos sem temores, sem preconceitos, sem medo, poder estar inteiramente lá...é uma das "coisas mais linda, dentre as mais lindas" do mundo...pois todos os dias estamos em contato com outros seres vivos e sequer nos damos conta disso, esbarramos em outro corpo que pulsa e nada...nem um som, nem uma reverberação...em certos dias nem mesmo nossa vida nos toca, não percebemos o quanto pulsamos também...e ter na vida inteira, um momento em que se possa ficar contemplando essa verdade...é ver a vida em movimento sempre...é saber do que a vida é feita, de momentos onde se pulsa, de momentos onde se olha, de momentos em que se sente...de momentos...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

olhos...

olhos nos olhos dos olhos do além...olho o que vejo ou o que vejo me olha também...esses olhos que percorrem toda sala que já não está mais tão vazia, esses olhos que perseguem uma verdade que há tempo já não existia...esses olhos que cruzam com os meus em mais uma esquina escorregadia, que se cruzam com os meus onde eu nunca estive e quem sabe um dia...quem sabe um dia esses nossos olhos se encontrem, quem sabe um dia haja motivo para tal encontro em uma rua tão vazia que nos faça parar, que nos faça pensar, que nos faça...uma rua vazia que nos traga pensamentos bem mais fortes do os de hoje em dia, pensamentos de verdades escondidas nas entranhas das esquinas escorregadias que nos cercam vez por outra...cercados por esquinas está toda a nossa vida, por esquinas duvidosas que não sabemos se podemos ultrapassar, por esquinas melindrosas e fechadas, que não nos dizem nada, mas nos levam dali para outro lugar, sem nos tirar do lugar de onde nunca deveríamos ter saído um dia...um dia quem sabe e quem souber virá me contar essas coisas que nunca contamos a ninguém...e será num dia desses, e será numa esquina e será diante de seus olhos um pouco abertos, um pouco cerrados e talvez até arregalados nos cantos, será neste dia em que se revelará uma verdade que há tempos já não existia, será num dia de olhos criptografados e os meus bem abertos ou tão fechados, que se revelará essa trama, e eu me deitarei neste dia em uma cama de gato e terei sonhos disformes, com os olhos que vejo e me vêem, será um dia e um dia de fato...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

for sale

tantos espaços existentes
tanta coisa pra guardar
agora está vazio e frio
a umidade toma conta do lugar

tanto espaço pra lembranças
guardar imagens boas que vivi
agora fria, Úmida e sozinha
já não há mais o que guardar ali

houve um tempo
talvez tanto tempo atrás
houve um tempo bom
houve já que hoje não existe mais

e me fecho em cadeados
desencadeados pela falta de emoção
e me fecho em mim mesma
hoje só há espaço para razão
eu me perguntava, mas já não era mais o meu eu que respondia...e as respostas que vinham brincavam (definitivamente) com meus medos que guardei tão fundo...esses medos bobos que se guarda com medo de que se tornem realidade...com medo...mais um dia que insiste em findar na minha frente, eu não estava preparada, não nessa noite...nunca poderei estar...e as perguntas preenchiam meu vazio e faziam questão de me esvaziar ainda mais...caminhava com dificuldade pelas ruas...mal me dirigia ao meu lugar comum...nunca tive paraísos perdidos, nunca me perdi por lá...minha dúvida eterna, tinha mais medo de minhas verdades ou de minhas mentiras...ou eram todas as mesmas...ou...era uma sala vazia, mas que guardava lembranças e um pouco de informação...as palavras vagavam em gravidade zero e eu me mantinha sentada, movimentava o corpo de tempos em tempos, estava quase viva...me movimentava de tempos em tempos pois não havia posição para minha inquietude...e para os lados eram máscaras e mais máscaras penduradas em formas disformes e humanas...cada qual vestiu a sua e lá se encontravam postados, alguns até ensaiavam sorrisos de satisfação...me notei em meio a todos nua...tal qual criança em conversa adulta sem saber o que fazer e sem poder sair para brincar...a grande brincadeira que a vida nos impõe, ter que estar sem máscara em meio a tantos mascarados...não era o meu lugar...não sei se algum dia será...compartilho dessa paixão, compartilho do brilho nos olhos molhados pela mesma emoção...mas não é meu lugar, não subo nem desço esses degraus...não tenho um lugar comum como todos os demais, minhas máscaras já não me servem, estou novamente nua, como se recém parida...mais uma dia se finda sem que eu saiba o que fazer...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

nua...

fico de pé na sua frente, olho nos seus olhos, que me olham, que me devolvem o que sequer te dei...fico parada, estática, na sua frente vou retirando tudo o que há em meu corpo e que não é meu...retiro minha roupagem de todo dia, as armas de guerra, retiro todas as minhas máscaras...na sua frente me mostro nua...pois quando te vejo...pois quando te olho dentro do olho e do nada você sorri...o corpo já se encontra desnudo...o corpo já está nú...e confirmo todas as minhas teorias, que passo horas "teorificando" em vão, passo horas amarrada em pensamentos tão complexos, tão coordenados para te dizer quem sou, pra sabe quem você é...e logo estou na sua frente, e seus olhos se abrem para mim e me invade os pensamentos e o óbvio vem a mente, você sorri...minhas teorias conspiratórias, reais, ilógicas e tão complexas como criação, de nada servem, de nada servem de tão simples que tu és...e volto a ser criança e me segura pela mão e me guia por caminhos que são só passos combinados, um após o outro e de nada mais preciso e esqueço minhas angústias bobas de todos os dias, e esqueço o que preciso...e esqueço...e volto a lembrar daquelas coisas que se esquece com tamanha facilidade, aquelas lembranças guardadas no baú no canto da sala de estar, estar sozinha...entro em teu corpo e lá me deixo ficar, entro nos teus olhos e navego por lá e não tenho bússola mágica, nem ao menos embarcação...nada tenho, e nada mais desejo...quero estar nua em teu corpo nú...quero estar dentro de ti e de mim...quero sorrir de volta quando me sorri...

terça-feira, 20 de maio de 2008

entrelaços...

imagino, alias, imagino não...desconfio que exista muito mais do que os olhos alheios podem ver...muito mais do que as imaginações fúteis possam imaginar em dias assim...se for por falta de explicação, essa eu hei de dar...esses dias tomou iogurte de mel e chandelle de manhã cedo...noutro despediu-se com suave tocar de lábios...noutro escreveu palavras confusas em uma tela de computador...noutro fez bico e preocupou-se e ainda hoje, despediu-se com beijo na bochecha...é mais do que mero esmero, é mais do que mera casualidade, mero levar de dias junto...pois quando todos pensam em encontros quentes e fricção de línguas...me espera com abraço de urso, pois sabe que neste dia é exatamente o que eu espero...é um olhar amplo das coisas pequenas, é ver passar os dias com maior lentidão, é saber só de olhar o que o outro quer e o que não...sentir que mesmo longe não se dorme sem coala e passar acordada também, saber que todos os dias preciso disso por conta das minhas fraquezas, e ao invés de me fazer superá-las me ajuda a esquecê-las...é mais do que "estar preso por vontade"...é estar livre e saber que se vive ao lado da liberdade...seja ela qual expressão for...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

visita ao psicanalista...parte um...

chegando ao ponto da loucura completa, desci...parei em frente ao consultório e relutei durante dois segundos para entrar...entrei, me dirigi à secretária, que escrevia algumas coisas na velha máquina de escrever...era praticamente um velho escritor e seu ofício...me identifiquei e sentei para ler as velhas revista, algumas novidades, mas na maioria das páginas as mesmas de sempre...abre a porta e uma voz seca diz lá de dentro... - Nana Rodrigues, por favor entre...entrei, confesso que apenas pela curiosidade de saber quem chama alguém de dentro de uma sala e não se pode ver...sentei no sofá que deveria me deixar confortável...estava quase deitada e comecei a imaginar o barulho de um dentista...e ele me disse - vamos, abra a boca... - era um dentista???... - psicanalista??? - sim, vamos aos seus problemas... - estou enlouquecendo lentamente... - volte quando estiver enlouquecendo rapidamente, pois lentamente todos estamos... - certo, talvez um pouco mais rapidamente do que lentamente... - e o que te enlouquece??? - as rotinas que a vida me impõe... - rotinas??? - sim, elas mesmas... - explique-se... - é uma tortura como as coisas se repetem da mesma maneira todos os dias... - sim... - ligar o rádio de manhã na mesma rádio e ver que depois de uma semana as músicas se repetem...é impossível conseguir ouvir rádio todos os dias, e mesmo que alterne as rádios ou os dias, eles teimam em se repetir, ... - as comidas se repetem no restaurante, mesmo que mude de restaurante...as roupas, as conversas, tudo se repete, se "rotiniza"...até as noticias se reprisam de tempos em tempos... - bom, seu tempo acabou... - bom, e quando devo voltar... - bom, daqui uns 10 anos... - 10 ANOS??? - sim, assim é possível que já não nos lembremos mais um do outro e jamais teremos uma rotina!!!...

terça-feira, 13 de maio de 2008

traga seu amor de volta...

isso mesmo...traga seu amor de volta em apenas 7 dias, com os trabalhos de amor e abertura de caminhos da mãe sei lá o que...era esse o recado dado na placa em frente a uma casa qualquer no centro da cidade...não pude deixar de ver em "slow"...não pude não notar e ficar parada ali na frente por alguns instantes, ainda que na vulgar curiosidade de saber quem adentra aquelas portas e promessas...ninguém entrou, será mera fatalidade minha de não ter ninguém entrando ali no momento em que eu esperava pra ver ou será que ninguém entra pq ninguém mais acredita nisso...e ainda há outra opção um tanto cruel, não entram pq nem no amor acreditam mais, e não se pode trazer de volta em 7 dias algo em que não se acredita...fiquei com isso na cabeça e vim pra casa, pensando volta e meia no assunto e pensando e pensando...mas meu Deus, eu acredito no amor, em sua forma mais simples e verdadeira, ainda que não consiga praticá-lo em sua totalidade, mas mesmo assim sei que existe e luto para que um dia possa professá-lo de maneira integra...acredito na união de pessoas muito mais do que por mera casualidade ou por mera necessidade ou então por interesse, seja ele mútuo ou não...sei também que isso está nas entrelinhas do amor, mas que se perde quando se pensa em amor maior, verdadeiro...isso se torna apenas casca quando se pensa no fruto...e há quem julgue que este comentário é piegas demais, e concordo com estes, pois não só o comentário é piegas, assim como o amor também o é...e nem por isso deixa de ser amor...e nem por isso os mais moderninhos deixam de amar...e talvez a pieguice do amor é o que o faça tão atemporal...pode-se amar em qualquer época da humanidade e ele ainda continua sendo o mesmo amor e ainda está entre os mais mais...e volto a pensar na placa que traz o amor da pessoa de volta no prazo máximo de 7 dias...ou seja, em uma semana ele voltará...mas que promessa é essa e quem recorre a isso, quem pode acreditar que tal método que desconheço por completo, mas de antemão desacredito, possa reestabelecer coisa tão particular...e se ao voltar e olhar nos olhos da suposta pessoas amada não ver mais o amor que deseja compartilhar...vai-se novamente...e ligações semanais a mãe fulaninha de tal pra trazer novamente o amor de volta...pois trazer de volta talvez até traga...mas garantir que vai ficar e compartilhar amor...ah...isso nem Santo Antônio pode prometer...isso nem eu que acredito no amor posso lhe falar...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

já não temos mais todo o tempo do mundo...

pensava em todo o tempo do mundo quando era tão jovem, tão jovem...e não que não o seja mais, mas agora já sei que não tenho todo o tempo do mundo, como fui acostumada a crer nos anos 80... aquele que proferia todo esse nosso tempo, toda essa nossa juventude já não pode mais...tem dias que passam como se não fossem dias e sim horas, tem horas que se esvaem como segundos, e já não tenho mais todo o tempo do mundo...já não se pode parar, o mundo pede para que continue a caminhar e que em poucos momentos olhe pra trás...o mundo pede e se faz necessário obedecer, pois o tempo que tínhamos antigamente já não conta, já não é mais...tudo muda nesse mundo que nos muda, o que era ontem, hoje já não se pode comparar...aquela de ontem já não faz tanto sentido no sentido que toma a de hoje...já não sei mais...o que era tempo quando tinha todo tempo do mundo, o que é tempo hoje que não se pode esperar...minha cabeça se baixa, baixo o olhar das coisas que via de cabeça erguida...meus pensamentos me remetem ao tempo de não saber o que pensar...passos cruzados pela estrada que me leva a algum lugar, mas ando meio perdida e sem tempo pra me encontrar...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

te gosto só de olhar...

talvez pq vivia de mão bem fechada e para que eu pudesse caminhar ao seu lado, só havia possibilidade se fosse de mãos bem dadas...e a mão se abriu, e meu coração também...e deve ser por isso que daquele dia em diante me leva na palma de sua mão, quando eu acho que nas minhas é que está...mas te carrego apertado dentro do coração, já que bem maior é você...quase não cabe por inteiro por lá...e vamos nos gostando desse nosso jeito por vezes tão tosco, por outras uma obra de arte...e vamos nos levando nos braços e pernas e todo corpo...todo corpo...é bem onde nos levamos, cada parte minha tem outra sua e cada sua lá esta a minha...e deve ser por isso que fecho o ouvido a tantas coisas e seus olhos se fecham pra outras tantas que gritam aos outros e você não vê...ver até vê...mas não é nesse ponto que te toco...meu toque vai além dessas futilidades de outros casais...e diriam os mais entusiastas...isso mesmo..é assim que se faz e mantém um casal moderno...mas e que moderno que nada, dizemos no mesmo tom...somos mesmo um casal dos primordes da humanidade...seguimos nossos instintos e vivemos juntos desde então...que modernidade que nada...somos atemporais...e logo você faz bico e eu derramo duas lágrimas do canto direito do olho...e logo depois damos boas gargalhadas um do outro...e dai nos olhamos durante dois minutos...depois desses dois minutos seria piegas demais que a vida parasse...depois desses dois minutos escolho mais dois segundos...te olho de novo...e dai te olho...e te gosto só de olhar...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

VIAGEM À BAHIA...SÃO SALVADOR...

E QUEM vem nos receber, ao chegar a Salvador...um dia lindo, quase findo, mas com sol ainda em pé...que se reflete em sorrisos bem abertos que vão abrindo nossos caminhos. não podemos deixar de nos abrir também...duas baianas, daquelas de verdade, daquelas que a globalização não levou, sorrisos quase idênticos, servidos à todos, mostrando o que é que a baiana tem...e as informações gratuitas que puxam um axé, que puxam mais sorrisos e nos puxam para dentro da baía de são salvador...
e as águas o que são, azuis da cor do céu, azuis são os seus mares e as areias brancas e até neve talvez seria, não fosse esse calor, que nos escorre nas têmporas, que nos derrete aos poucos... olha o coquinho, geládinho, vai pra maínha, vai por paínho!!! e nos devolvem o que o sol levou e sorri novamente...
minha senhora me diga, está longe o Pelourinho...ô meu filho, tá muito errado ( e solta o riso e solta a risada que presa não estava)...é pra um outro lado, segue a sete até a praça de castrô e de lá sobe a ladeira e não tem como dá errado (e mais sorriso e risada), vão com Deus, axé!!! seguimos ainda na jornada e sempre que precisamos, vem um sorriso e a informação certeira. e os dias passam lentamente, tal qual balançar de rede e quase não se sente, o cansaço e as queimaduras na pele outrora branca, nem se sente que é chegado o dia...e quando amanhece já se percebe...que o tempo daqui acabou... o sol que sempre se viu, hoje não despontou...se sente com lisonjeio indecente...que no dia da despedida, uma chuva fininha, faz um tempo que chora...chora os que logo vão embora...

na janela de uma kombi vermelha...o tempo não passa...

quando se acostuma ao irreal...ao plástico, diria até ao fantástico, o que esperar do real, do humano, do normal...o que esperar ver sem aquela luz que amanhece ou anoitece conforme o diretor manda...o que esperar...quando cessa a música e o silêncio falado invade o lugar...o que se pode ver quando o personagem vai embora e não se sabe o que esperar...sentada na quarta fileira vi se despedir dali o tal motorista da kombi vermelha que dirigia por uma autoestrada acompanhado de uma mulher que (eu) nunca havia visto antes...desmontou-se o que havia de plástico, muda-se a face, o respirar, sai a máscara e fica uma face nua que talvez nunca tenha visto com tanta plenitude, com tanta verdade...uma verdade crua e por vezes até indigesta, uma verdade tão real que é capaz de cortar...estava acostumada aos diversos personagens, não imaginava tanto material humano "real" por debaixo daquilo tudo que estava acostumada a contemplar...depois de verificar tantas faces, a face oculta se mostra e o torna ainda mais oculto aos meus olhos (pensamentos)...haviam palavras soltas no ar, ar que entrava e saia dos pulmões de todos que ali estavam...tão humanos e tolos que somos, dependemos do mesmo ar que nos cerca para nos manter...fiquei por tempos triangulando ali, nessa caixa (preta) de pandora...por horas me perdi e te trouxe de volta ao pensamento...foi quando te vi tão humano, ou ao menos, tão real...isso que aproxima e ao mesmo tempo torna ainda mais poético o meu olhar...o roer das unhas, a saliva que insiste em ficar na ponta dos dedos e que se seca na vestimenta, os pequenos goles d'água, as mexidas insistentes no tecido da roupa, o morder do canto direito interno da boca, o balançar das pernas com alternância de cruzadas de pernas, as piscadelas esporádicas que lhe trazem rugas momentâneas, o arquear da sobrancelha quando concorda ou discorda, ou aquelas arqueadas que vem logo após as piscadelas, essas involuntárias...isso que é capaz de lhe tornar tão real quanto quebrável...essa face outrora oculta que se mostra sem preparo, sem filosofia, sem pressa ou demora...essa humanidade que me assustaria em tempos de chuva...mas que em noites de frio e céu estrelado me fazem (não) pensar...toda essa carne e ossos e vida e contemplação que me trazem...essas brincadeiras que nos são impostas...dentre tantas coisas no mundo que são explicáveis, logo se mostram tantas outras que nos deixam vivos e que jamais se poderá explicar, ainda que simples demais seja a explicação...como estar na quarta fila, que é o dobro da segunda fila...que implica em dizer que dois e dois são irremediavelmente quatro, até que se tente o contrário...abrir os olhos para a face oculta dentre tantas outras faces...viver a vida em triângulos quando o que todos desejam é vivê-la em círculos...poder estar na janela de um kombi vermelha e ver com toda a simplicidade, que para certas coisas o tempo nunca vai passar, o tempo é mero acaso, neste momento o tempo não passa...