QUE acorda tão tarde que o dia se pudesse te olharia feio, cobraria com juros as horas de sono perdidas para uma noite sem fim, para uma manhã que tarde começa, sei que sente preguiça de gato e se espreguiça como eles o fazem, e que senta para tomar o café da manhã quase almoço, já que a fome não lhe cai bem...que se enjoa com facilidade, da comida, da vida...nada quase tem o fim esperado por tuas mãos...toma banho que dura o tempo certo para as lágrimas que em dias assim, escorrem como água, sei que seca o corpo com certo relaxo, escolhe as roupas para dar essa impressão, mas as define com precisão...pouco arruma os cabelos que lhe emolduram e escondem o que não se deve mostrar, essa teia de idéias claras que melam todo o redor, mesmo sem querer...sei que seu andar é despojado, quase sem graça e que quando pára as pernas se abrem e se fecham o tempo todo, não há para ou posição, sei do joelho ralado e da cicatriz na perna, aquela ali do lado...sei dos formatos que gosta e dos que não...sei que como os cabelos e olhos e quase os pensamentos é tudo claro, branco e sei das unhas que tenta não roer, da boca que teima para não morder...sei que o sorriso quase não lhe escapa e que nem por isso perde a graça, sei de um sorriso esperado por vidas inteiras, que saem quando menos se espera, é quase gargalhada...sei o que qualquer olhos poderiam contar, mais prefiro ir além do simples olhar...sei das mãos que de pequenas e ágeis se transformaram em precisão...sei do que a garganta esconde e que em outros olhos e ouvidos não se pode acreditar...sei de tantas habilidades opostas que não quero nem despertar...sei de todos os detalhes, entalhes e gostos...que chego a não saber nada de você...
quando se olha por fora se vê o que há por fora, mas o que há por dentro quem poderá ver...não com esses olhos, não da mesma forma que sempre se olhou...não mais assim...por dentro é mergulho, por dentro não há como não encontrar o que se procura...
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
VELHOS TEXTOS escritos em folha de pão...meu defeito maior é assim mesmo...feito saco de pão amassado e com velho texto...texto que de tão velho já nem dizia, murmurava, repetia...e todos alheios procurando solução pra um soluço "insolusável", que não tinha cabimento, não tem explicação...milhares de livros em prateleira empoeiradas, sem função, sem passadas de olhos, sem olhares, cuidados com tamanha atenção que não condiz com aquele velho saco de papel e tinta azul, emoldurado...aceito o que não me dizia nada até então...aceito com braços cerrados em volta de um corpo que pede o que não se dá, não se diz...e se eu soubesse conjugar esse verbo sem corar, sem decorar, decoração fosca de móveis pastéis, de feira...ainda acredito na foto, nela estavam todos olhando pra mim...e essa solidão que sozinha não me deixa ficar...tome seu chá antes que eu esfrie meu corpo só de solidez...tome seu chá, já que despreza o forte café, que despreza o que eu te der...este chá, nunca mais me deixe esperando por ele em dias tão nublados que fazem tostar café com chá e cara de "cháfé"...pegue as bolachas e as bochechas que se mexem, que quase sorriem e na foto ainda olhava pra mim, ainda que todos tenham desaparecido...eu ainda estava ali depois de tudo o que não houve, o que não se ouve ou "olvida"...sentada com papel de pão nos braços engessados em volta de um corpo que não sei se devo mencionar...eu fiquei sentada a noite toda na beira daquela cena, na beira daquele estrada que leva a terceira margem do rio...fiquei de pé para um lado e para o outro, bem no meio da free way, de frente pr'o radar de motores acesos...e quando a chuva caiu, eu estava de pé, com xícara de chá ou café frio sem leite sem mim...e quando a chuva caiu parou de chover, o papel não se molhou, nunca existiu...nessa noite eu não sei se sonhei quando a chuva não caiu e me molhou o corpo pardo de papel...e o sonho foi tão claro que meus olhos se fecharam arregalados de dor...esse sonho eu não me lembro, era tão bom, estávamos todos lá, só eu e você, nem tinha certo o lugar, você já havia desaparecido e estávamos todos lá...marquei hora e lugar, de tão certo que era o sonho, foi nele que tirei aquela nossa fotografia em que todos sorriam, e que não havia mais ninguém, só eu sem você...aquele foto que amanhã te mandei uma cópia e você emoldurou em saco de pão e papel e tinta azul...seriamos só nós, sem aqueles de sorriso plástico que estavam lá por acaso, como nós de passagem, comprada pra outro lugar que de lá não saiamos...as saias rodadas por mundo afora, minha imagem em sua retina, meu peito em suas mão, não me lembro quem nos deixou ou se fomos embora...
terça-feira, 6 de novembro de 2007
ME DISSERAM...
DIA desses me disseram...quase não acreditei...tudo mudou...me encantei...não encantamento qualquer...(não sei se me entendo(e))...já não mais aquela mulher de sempre fui...de sempre já vou...fiz aquele mal, olhei quantas vezes pude...
certo dia imaginei...e essa imaginação que não me obedece, e que ainda me seduz, essa vida que me faz, quando já não ia...quando já não vinha...quando eu nem nela estava..."eu gosto é do estrago, sei do escândalo e eles têm razão..."
...virei os olhos, olhei ainda mais uma vez, aquela derradeira, aquela que me fez (me) perder...de ponta cabeça passei a andar...de ponta de pés passei a sussurrar...gritando em seus ouvidos tão serenos e quase serenos...perdi a ida quando já não quis voltar, quis aos poucos estar em mim por ti, por você, se é posso me expressar assim, se posso ter esse querer...
já ela, ela nem estava lá, fiz questão de deixar de fora, fiz questão de "absurdar"...e aquele vento que transpassa os "póros" e mantêm em pé o que já não se pode mostrar todos os dia, sem censura, sem lisura...
quis morrer por tantos tempos pra poder viver assim...exatamente como previ que não ia acontecer...sobrevivendo á essas coisinhas miúdas de tamanha grandeza, que não esclareço nem mesmo á luz de lua cheia de solidão...não está comigo, nunca esteve com você...mas eu queria muito saber o que é mesmo a solidão..."não solta da minha mão..."...
e não espalhe essas coisas por outros peitos tão abertos em decotes...tão abertos quantos os meus...tão abertos quantos os seus estão fechados...e se derramam em vermelho que me tinge...que me escuta e ainda assim me oculta...me dói...ainda que não quisesse perceber, ou que não se perceba então...
fotografe esse fundo de olho, com retina clara dessa cor, registre em cartório e na mente, que me diz o que me mente...registre em você, sem tanta intimidade o que se pode querer...o que se pode fazer...sem essa intimada intimidade só se pode ir bem fundo, onde os olhos teimam em não ver...é lá que quero estar, passar os dias de sol e quem sabe sair quando quiser...lembrei do "affair"...lembrei da terceira margem desse rio que sou...lembrei um pouco em tudo de você...
acho que ainda penso na solidão...não na minha e mesmo ainda não sua..."dedico a ti essa canção...sem você prefiro a solidão, a sete palmos do chão..."
certo dia imaginei...e essa imaginação que não me obedece, e que ainda me seduz, essa vida que me faz, quando já não ia...quando já não vinha...quando eu nem nela estava..."eu gosto é do estrago, sei do escândalo e eles têm razão..."
...virei os olhos, olhei ainda mais uma vez, aquela derradeira, aquela que me fez (me) perder...de ponta cabeça passei a andar...de ponta de pés passei a sussurrar...gritando em seus ouvidos tão serenos e quase serenos...perdi a ida quando já não quis voltar, quis aos poucos estar em mim por ti, por você, se é posso me expressar assim, se posso ter esse querer...
já ela, ela nem estava lá, fiz questão de deixar de fora, fiz questão de "absurdar"...e aquele vento que transpassa os "póros" e mantêm em pé o que já não se pode mostrar todos os dia, sem censura, sem lisura...
quis morrer por tantos tempos pra poder viver assim...exatamente como previ que não ia acontecer...sobrevivendo á essas coisinhas miúdas de tamanha grandeza, que não esclareço nem mesmo á luz de lua cheia de solidão...não está comigo, nunca esteve com você...mas eu queria muito saber o que é mesmo a solidão..."não solta da minha mão..."...
e não espalhe essas coisas por outros peitos tão abertos em decotes...tão abertos quantos os meus...tão abertos quantos os seus estão fechados...e se derramam em vermelho que me tinge...que me escuta e ainda assim me oculta...me dói...ainda que não quisesse perceber, ou que não se perceba então...
fotografe esse fundo de olho, com retina clara dessa cor, registre em cartório e na mente, que me diz o que me mente...registre em você, sem tanta intimidade o que se pode querer...o que se pode fazer...sem essa intimada intimidade só se pode ir bem fundo, onde os olhos teimam em não ver...é lá que quero estar, passar os dias de sol e quem sabe sair quando quiser...lembrei do "affair"...lembrei da terceira margem desse rio que sou...lembrei um pouco em tudo de você...
acho que ainda penso na solidão...não na minha e mesmo ainda não sua..."dedico a ti essa canção...sem você prefiro a solidão, a sete palmos do chão..."
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