sexta-feira, 9 de novembro de 2007

ALIENADOS

no fundo desses olhos de mar
mareados por outras marés

ali(n)enados estão os meus, agora tão seus
alin(e)ados por uma ilusão...de óptica alínea

queria era saber nadar
ao invés de voar sobre a terra

investir num barco à velas
e nas velas iluminadas te navegar

eu sei tanto sobre esses mares de ti
como andei pela face da terra
como sei o que do futuro virá
sobre os ventos que me sopram ao te encontrar

meus olhos vão se derramar nessas praias
que não sei só de te olhar, de saber, te pensar

idas das idas de uma volta sem fim
traços de vida desenhados em nanquim

queria era abrir meus braços
desatar os teus nós, refazer os teus laços

esses laços de fita, pássaro que voa sobre o ar
sempre soube que saberia, o dia de te encontrar

já estamos tão ali(n)enadas
sem poder o querer de voltar
se não sorrisse não me diria...o que em palavra nenhuma de todas no mundo...caberia...

marés...

os ventos que agora sopram, neste mar EMARANHADO DE PAIXÃO...são ventos de movimento, pensamentos e complicações, neste mar que me encontro desancorada, com remos fortes que me deixam fraca...neste mar de reflexo hora prateado, hora púrpura, hora dourado e hora tão BRANCA que como neve, que me cai na pele e queima á quente o que deveria sentir gelado...hora seu rosto tão bem delineado, tão bem esculpido, como sereia que canta e encanta na ilha perdida, perdidamente encontrada...esse reflexo no mar que me leva por caminhos ainda nunca navegados, e tão conhecidos...esqueço os remos, prefiro ser levada pelo vento que me sopra, que conflui...nesse mar que é mundo sem fim...e que me deve a solidão...de tão presente que estás não ME deixa em minuto ou momento...e outro dia, e outro sol que se reflete em seus árcades de marfim, que se abrem que me abrem para um mundo tão meu que ainda esta dentro de mim, marfins que corri o mundo à procurar, à TE ENCONTRAR...e que quando vi me deixaram perder minutos e dias de vida e solidão...navego por esse mar que diz tanto de ti como de mim...navego por esse mar que muda de cor, que muda as marés, que muda as vidas...que perde e encaminha...que perde e dá meios de vida, de amor...hei de entoar nessas noites de lua, onde JORGE me olha e me diz, que já está gasto o dragão, de tantos pedido sem cabimento, cheio de lamento e paixão...dia desses vou cantar uma noite inteira, porque se morro um pouco a cada dia, você me ressuscita em palavras não ditas, que refletem em batidas descompassadas e adoração...SALVE JORGE NA LUA, SALVE TEUS PASSOS NA TERRA, SALVE MINHA VIDA NO MAR...SALVE A MORTE DESSA SOLIDÃO...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

EFEMERIDADE

ESSA efemeridade no olhar, que me rasga o coração e costura a alma, paciência para pedir o que eu der...petulância para conseguir o que (eu) quiser de mim...da vida...como gato que cai de pé, e se fere, e lambe as feridas e se cura e leva tempo (leva anos e meios) e segue a vida...e cai de novo e não tem solução...como gato que se "enlheia" nas pernas do dono, que mia baixinho, que pede proteção e que depois (te) protege sua vida, escolhe seu dono, levanta os pêlos, abana o rabo, em um mesmo dia...como nuvem, que quando se viu, que onde já se viu, e pediu um sopro para o vento e já está mais adiante...já está diferente..."aguaceira" do rio, que a pedra sempre vê, que por uma delas se enamorou e nenhum tempo durou, foi logo...deixou ir...já eram outras água, pedra dura que nunca fura, que não viu...a gota de suor que no rosto correu, quando estava outro rosto colado ao seu, ninguém percebe, pois o tempo que dura é de gota que desce...o calor da pele que só em toque senti, que tão perto que estava, estava ali...o calor que provoca reação molecular, arrepia a pele, produz mais suor que escorre...que molha corpo e pele, mucosa e pele de tão molhada que já estou...perco tempo com essas efemeridades, numa vida cheia delas...acordo cedo, enquanto dorme tarde, olho pela janela e lá vem ela...brincar com minhas meninas, entrar nas minhas retinas...efemerizar o que eu tenho de bom...lá vem ela com beleza que não digo, que se dissesse quase quebraria, sentada na janela, com cicatriz no joelho, balançando as pernas com outras nuvens de vento, janela que não é mais minha, que me bate onde o corpo faz vida, enquanto eu sua gata, já vou lhe lamber as feridas...outro dia que começa...cheio de efemeridade e de vida...