segunda-feira, 9 de junho de 2008

é cedo...

ainda é tão cedo para dizer qualquer coisa que seja...ainda é cedo...é cedo demais para saber o que há de certo nisso tudo, para ver os erros, talvez cedo demais até para errar...o dia acabou de raiar e sinto que é cedo...cedo para sentir o que há tanto tempo já sinto...para saber das coisas da vida, para saber das tuas coisas em mim...é cedo do dia, é cedo do tempo, é cedo da vida para estar onde estou...mas estou aqui, cedo ou tarde...as coisas se movimentam tão lentamente que chego a duvidar deste tempo que me diz que é cedo ou tarde demais...chego a duvidar da existência de certas coisas, pois o tempo por vezes pára e por vezes corre e por vezes só passa...e se perdem palavras como cedo ou tarde ou tempo, se perdem coisas bobas que não nos dizem respeito...se perdem todos os tempos, pois eu sinto que ainda é cedo, mas não posso perder tempo, só me resta esperar...o tempo que for para que não seja nem cedo, nem tarde demais...fecharei meus olhos no encontro com os seus, cerrarei meus dentes para não lhe dizer, pois julgo que ainda é cedo para o que quer que for...te encerro em meus braço e duvido de quem duvide que isso se chame amor...e duvido de coisas bobas novamente e te olho por mais dois minutos e te olho...e nunca será cedo para esse encontro de olhos que nos diz tanto, mesmo sendo cedo ou tarde demais...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

de momentos...

quarta-feira...um toque que não toca, mas que demonstra todo cuidado que se pode ter quando há em suas mãos algo vivo...ter nas mãos algo vivo...tão simples saber quando estamos assim, mas tão difícil de perceber o real sentido que isso nos traz, as implicações de ser ter nas mãos algo assim...a pele íntegra, as carnes e ossos, tudo pulsando em suas mãos e você ali...defronte ao divino, contemplando o que de mais perfeito existe...ter tempo para parar ali e só olhar, ter a felicidade de poder tocar em algo que se entrega em suas mãos sem temores, sem preconceitos, sem medo, poder estar inteiramente lá...é uma das "coisas mais linda, dentre as mais lindas" do mundo...pois todos os dias estamos em contato com outros seres vivos e sequer nos damos conta disso, esbarramos em outro corpo que pulsa e nada...nem um som, nem uma reverberação...em certos dias nem mesmo nossa vida nos toca, não percebemos o quanto pulsamos também...e ter na vida inteira, um momento em que se possa ficar contemplando essa verdade...é ver a vida em movimento sempre...é saber do que a vida é feita, de momentos onde se pulsa, de momentos onde se olha, de momentos em que se sente...de momentos...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

olhos...

olhos nos olhos dos olhos do além...olho o que vejo ou o que vejo me olha também...esses olhos que percorrem toda sala que já não está mais tão vazia, esses olhos que perseguem uma verdade que há tempo já não existia...esses olhos que cruzam com os meus em mais uma esquina escorregadia, que se cruzam com os meus onde eu nunca estive e quem sabe um dia...quem sabe um dia esses nossos olhos se encontrem, quem sabe um dia haja motivo para tal encontro em uma rua tão vazia que nos faça parar, que nos faça pensar, que nos faça...uma rua vazia que nos traga pensamentos bem mais fortes do os de hoje em dia, pensamentos de verdades escondidas nas entranhas das esquinas escorregadias que nos cercam vez por outra...cercados por esquinas está toda a nossa vida, por esquinas duvidosas que não sabemos se podemos ultrapassar, por esquinas melindrosas e fechadas, que não nos dizem nada, mas nos levam dali para outro lugar, sem nos tirar do lugar de onde nunca deveríamos ter saído um dia...um dia quem sabe e quem souber virá me contar essas coisas que nunca contamos a ninguém...e será num dia desses, e será numa esquina e será diante de seus olhos um pouco abertos, um pouco cerrados e talvez até arregalados nos cantos, será neste dia em que se revelará uma verdade que há tempos já não existia, será num dia de olhos criptografados e os meus bem abertos ou tão fechados, que se revelará essa trama, e eu me deitarei neste dia em uma cama de gato e terei sonhos disformes, com os olhos que vejo e me vêem, será um dia e um dia de fato...