Sou Nana Rodrigues, um misto de tudo o que Deus quiser, como se nada tivesse a ver com isso o Diabo, sou anjo que peca a cada passo, a cada olhar que lança pela terra... escrevo o que não digo e digo o que não escrevo, não me atrevo a fazer coisas que todos fariam, faço o que muitos não se atreveriam... teimo em achar que muitos falam de mim, tenho minhas vergonhas internas, mas a maioria delas estão completamente externadas... sou meio fogo e meio gelo, num mesmo compartimento... sou confusa e confusão, uma profusão disso e daquilo... gosto de brigas e me desgasto com isso, não volto atrás, mas me desdigo a cada momento... tenho idéias ótimos e más companhias, como todo ser humano, sou quase humana em dias assim... sou como cigarro apagado na boca de um fumante inveterado, sou a parte de baixo da garrafa de vodka cheia, sou a metade de cima quando está vazia... sou pudor e perversão... sou dona de princípio sem começo, meio ou fim... sou dona dos meus passos mesmo quando estou parada, mesmo quando não sei onde vou... sou chocolate e angustura... sou queijo podre e fino creme... sou de pensar pouco, me arrepender muito e não crer em arrependimentos... sou filha do meu pai e da minha mãe, sou mãe deles todos os dias... sou mulher e menina e menino exatamente ao mesmo tempo... sou daquelas que tem mel na pele não só pra ser doce, mas pra ser grudenta... não tenho a maioria dos freios, mas um freio de mão com defeito que se puxa sozinho quando estou na maior velocidade em plena descida... sou decidida... sou daquelas que jogam o tempo todo, que mentem boa parte dele e não acreditam na previsão do tempo da televisão... daquelas que acham que signo não define nada, mas que tudo o que tenho de certo faz parte do meu zodíaco... daquelas que acordam de mau humor, que comem coisinhas o dia todo, que morrem de vontade de comer um doce, uma delicia, uma coisa que não sei o que é, um troço gostoso e que depois preferiam não ter comido... dessas que gostam de paixão, sexo e de todos os sexos misturadinhos... essas que colocam o mundo numa coqueteleira e mexem muito e depois colocam num copo e tomam tudo... dessas que gostam de massagem com creme, que não querem ter filho e que pensam em sexo o dia inteiro... dessas que queriam ser mais magras, infinitamente mais magras, mas que se fossem infinitamente mais magras se odiariam, mas mesmo assim fazem dietas dia sim e outro também... sou essa que escreve e apaga mesmo sabendo que não dá mais tempo, essa que tem umas coragem covardes, que é tímida bem no fundo e que vive no fundinho... que (quase) não bebe, (quase) não fuma e é (quase) fiel aos seus princípios todos os dias... sou Nana Rodrigues que numa manhã qualquer tira a roupa e vai para o sol de notebook pra ficar vermelhinha...
quando se olha por fora se vê o que há por fora, mas o que há por dentro quem poderá ver...não com esses olhos, não da mesma forma que sempre se olhou...não mais assim...por dentro é mergulho, por dentro não há como não encontrar o que se procura...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
CHOCOLATE MEIO AMARGO
SUAS letras, as letras que te compõe, elas derretem em minha boca a cada pronuncia, a cada lembrança... elas derretem, me derretem como pedacinhos de chocolate meio amargo... cada A... cada E... cada I... cada O... cada U em seu nome tem letra de chocolate quando te falo pra dentro, quando te pronuncio pra mim...
ME escorre garganta a dentro, banha minhas peles internas com teu nome de chocolate... pinta as minhas vermelhidões do avesso de chocolate meio amargo, nem tão doce quanto gostaria, nem tão amargo como poderia, apenas chocolate...
cada letra se desenha em minha boca, umas no céu, outras na língua, umas tantas na bochecha, brincam molhadas pela minha saliva, eu te falo pra mim mesma, pra me lembrar quem é, pra me esquecer quem sou... eu te engulo pelas letras, teus eles, teus enes, eu como todo seu nome... por dias inteiros é o que me alimenta...
eu desenho o teu corpo com a minha língua, eu te copio aqui dentro, eu passo pelos contornos onde sei que te encontro... eu me delicio com seus gostos, com seus cheiros, com seu rosto estampado na minha parte de dentro... eu me marco nas marcas do teu rosto, eu mastigo as suas iniciais, eu lambo as tuas consoantes, eu fico deglutindo as tuas vogais... teu nome de chocolate...
e se me enjoo te tiro inteiro das minhas entranhas achocolatadas... te tiro inteiro de mim, e me deixo sem partes vitais, me deixo jazer sem vida... se me falta a pronuncia, se me enjoa, se me deixa, não me fica nada, nada me fica... já não sou mais eu quem te engulo, já não sou mais... me retiro, me deixo passar... fico sem boca, sem fala, sem pronuncia...
ME escorre garganta a dentro, banha minhas peles internas com teu nome de chocolate... pinta as minhas vermelhidões do avesso de chocolate meio amargo, nem tão doce quanto gostaria, nem tão amargo como poderia, apenas chocolate...
cada letra se desenha em minha boca, umas no céu, outras na língua, umas tantas na bochecha, brincam molhadas pela minha saliva, eu te falo pra mim mesma, pra me lembrar quem é, pra me esquecer quem sou... eu te engulo pelas letras, teus eles, teus enes, eu como todo seu nome... por dias inteiros é o que me alimenta...
eu desenho o teu corpo com a minha língua, eu te copio aqui dentro, eu passo pelos contornos onde sei que te encontro... eu me delicio com seus gostos, com seus cheiros, com seu rosto estampado na minha parte de dentro... eu me marco nas marcas do teu rosto, eu mastigo as suas iniciais, eu lambo as tuas consoantes, eu fico deglutindo as tuas vogais... teu nome de chocolate...
e se me enjoo te tiro inteiro das minhas entranhas achocolatadas... te tiro inteiro de mim, e me deixo sem partes vitais, me deixo jazer sem vida... se me falta a pronuncia, se me enjoa, se me deixa, não me fica nada, nada me fica... já não sou mais eu quem te engulo, já não sou mais... me retiro, me deixo passar... fico sem boca, sem fala, sem pronuncia...
sábado, 8 de agosto de 2009
palavras... palavrinhas...PALAVRÕES...
PUTA QUE PARIU... caralho, porra do caralho, porque é que eu não consigo tirar essa merda dessa idéia fixa da minha cabeça...porque raios eu tinha que cismar justo com isso, porque é que eu não posso ficar quieta no meu canto, escrevendo meu texto ou decorando outros tantos... por que eu sempre faço isso, escrevo e depois apago, por que é que eu sempre me arrependo...
tenho que palavrear bem alto pra expulsar de mim esses maus espíritos...tenho que escrever-falar palavras, palavrinhas e palavrões pra ver se as minhas vontades insanas passam de uma vez por todas...
elas não vão passar, já nasci sabendo disso...elas não passarão nem com todas as palavras do mundo... estão mais grudadas em mim do que a própria pele, fluem mais em mim do que meu sangue...
por que raios eu tinha que abrir meu olhos naquele momento, porque é que não fiquei com a imagem de sempre estampada nas minha retintas retinas...
porque é que eu resolvi olhar pra dentro, porque é que eu te encontro sempre por lá...
eu não tenho mais pra onde ir, eu não tenho mais pra onde andar...
poderia ficar parada e esperar o fim
mas minhas pernas teimam em caminhar
eu poderia nunca ter visto
eu poderia nunca querer olhar
mais insisto em abrir os olhos do peito
mas insisto em deixar entrar
porque é que eu rimo
porque é que eu poetizo
estampa das minhas próprias pálpebras
onde será que está
onde será que estará
onde será que esteve
saliva em minha boca
por que é que fui abrir meus olhos quando bem estavam fechados
porque é que escrevo e apago
porque faço tantas perguntas
porque é que não me respondo
as idéias fogem como fogo que se espalha
as idéias me fogem como se eu as quisesse por perto
por que resolvo olhar pra dentro
porque você não está do lado de fora
eu tinha minha pele e meus pensamentos
eu tinha água fresca e sombra boa
eu tinha meu lugar e minhas coisas
um dia sai de casa e resolvi mexer nas tuas
eu tinha pele e pêlo
eu tinha
porque é que fui querer casaco de pele e pé de coelho...
tenho que palavrear bem alto pra expulsar de mim esses maus espíritos...tenho que escrever-falar palavras, palavrinhas e palavrões pra ver se as minhas vontades insanas passam de uma vez por todas...
elas não vão passar, já nasci sabendo disso...elas não passarão nem com todas as palavras do mundo... estão mais grudadas em mim do que a própria pele, fluem mais em mim do que meu sangue...
por que raios eu tinha que abrir meu olhos naquele momento, porque é que não fiquei com a imagem de sempre estampada nas minha retintas retinas...
porque é que eu resolvi olhar pra dentro, porque é que eu te encontro sempre por lá...
eu não tenho mais pra onde ir, eu não tenho mais pra onde andar...
poderia ficar parada e esperar o fim
mas minhas pernas teimam em caminhar
eu poderia nunca ter visto
eu poderia nunca querer olhar
mais insisto em abrir os olhos do peito
mas insisto em deixar entrar
porque é que eu rimo
porque é que eu poetizo
estampa das minhas próprias pálpebras
onde será que está
onde será que estará
onde será que esteve
saliva em minha boca
por que é que fui abrir meus olhos quando bem estavam fechados
porque é que escrevo e apago
porque faço tantas perguntas
porque é que não me respondo
as idéias fogem como fogo que se espalha
as idéias me fogem como se eu as quisesse por perto
por que resolvo olhar pra dentro
porque você não está do lado de fora
eu tinha minha pele e meus pensamentos
eu tinha água fresca e sombra boa
eu tinha meu lugar e minhas coisas
um dia sai de casa e resolvi mexer nas tuas
eu tinha pele e pêlo
eu tinha
porque é que fui querer casaco de pele e pé de coelho...
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
VAI CHOVER...
e quando as nuvens se acumularem lá fora aqui dentro as minhas já estarão precipitadas... vivo em precipitação, em dias alternados de humores desmedidos, um vida sentimental desregrada... sou por mim só uma confusão, uma profusão de sentimentos num copinho bem pequeno, sou a perfeita efervecência num copinho bem pequeno, transbordo pela bordas, transbordo-me inteira, sou puro defeito...
sou veneno, o veneno que constantemente tomo, que me toma, que me envenena
sou conversa e desconversa que me tenho comigo mesma
sou pimenta que arde nos meus olhos
sou o fogo que me ateio
sou nada
sou
sou essa mistura de coisas que não compreendo e que retenho em mim para sempre
queria falar com todos os meus ex amigos e dizer que mais da metade da culpa é minha, mas que em dias assim não me arrependo
já comprometi meus dias
já briguei com o diabo
já chorei sozinha e acompanhada
não há nada que possa mudar o que foi
não há como saber o que virá
o sol se foi e levou junto o céu azul, minhas vermelhidões desapareceram num passe de mágica, não foi mágico o que aconteceu de lá pra cá comigo... não foi mágico acordar com céu gris
e se eu me chamasse cristina, aline maria ou maria aline
e se eu me chamasse pelo nome, e se eu mexesse comigo
e se
e se somente se
vivo das certezas das minhas incertezas que são muitas
vivo todos os dias com uma chave nas mãos
descobrirei ao fim que esta chave abre o meu cárcere
ainda não sei disso
ele permanece fechado
escondo de mim os meus pequenos prazeres velados
escondo de mim e velo para que não os ache
falo comigo em meias palavras
em meias verdades me digo as verdades inteiras
mesmo sabendo que não existem nem verdades inteiras e nem meias verdades
mesmo sabendo que não há segredos
mesmo sabendo que nada disso que acredito existe
mesmo sabendo disso tudo
ainda me digo
sou veneno, o veneno que constantemente tomo, que me toma, que me envenena
sou conversa e desconversa que me tenho comigo mesma
sou pimenta que arde nos meus olhos
sou o fogo que me ateio
sou nada
sou
sou essa mistura de coisas que não compreendo e que retenho em mim para sempre
queria falar com todos os meus ex amigos e dizer que mais da metade da culpa é minha, mas que em dias assim não me arrependo
já comprometi meus dias
já briguei com o diabo
já chorei sozinha e acompanhada
não há nada que possa mudar o que foi
não há como saber o que virá
o sol se foi e levou junto o céu azul, minhas vermelhidões desapareceram num passe de mágica, não foi mágico o que aconteceu de lá pra cá comigo... não foi mágico acordar com céu gris
e se eu me chamasse cristina, aline maria ou maria aline
e se eu me chamasse pelo nome, e se eu mexesse comigo
e se
e se somente se
vivo das certezas das minhas incertezas que são muitas
vivo todos os dias com uma chave nas mãos
descobrirei ao fim que esta chave abre o meu cárcere
ainda não sei disso
ele permanece fechado
escondo de mim os meus pequenos prazeres velados
escondo de mim e velo para que não os ache
falo comigo em meias palavras
em meias verdades me digo as verdades inteiras
mesmo sabendo que não existem nem verdades inteiras e nem meias verdades
mesmo sabendo que não há segredos
mesmo sabendo que nada disso que acredito existe
mesmo sabendo disso tudo
ainda me digo
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