ou com os olhos fechados do lado de fora. do lado de dentro aberto. os poros. de quem são? e fica abrindo e fechando perto da minha bochecha e os cílios tocando a pele vazia de cor. a melancolia lhe cai bem e lhe dá uns tons que não existem. não mais. como é bonito daqui e com os olhos fechados. bem fechados quanto mais abertos estão. e nada importa, não é? não é não vai ser mais quando não for, mas ainda será. e sempre. e se você escolhe os seus calçados eles não lhe machucarão os pés pois terão piedade de dar-lhe só dor quando por ti foram escolhidos e lhe cabem e lhe fazem sentir melhor do que sair com os velhos, os mesmos de sempre. como as pontas de dedos que batem de leve que quase não se sente. como as pontas dos dedos dentro da boca que não se sente muito. como as pontas dos dedos dos pés tocando couro de sapato novo. a reprise de um sonho. quando se acorda de leve e tudo pode ser leve e se abre os olhos até então fechados. e se termina de leve um sonho que ainda persiste. e se sente que poderia dormir de volta e não tem volta o sonho que se termina e continua sonhando acordado. sem a alegria de braço abertos. sem braços. sem dedos. sem pele. de leve. como se a solidão pudesse te achar num canto escuro do quarto de hora em que se encontra sozinho. como se a saudade pudesse voltar sozinha e acompanhada da solidão que teima em não te deixar só. como se o canto não fosse um canto e sim um conto arredondado por dedos de barro que moldam o mundo que não cabe em si. como se a melancolia fizesse de ti um cachecol que carrega na bolsa e espera um dia fazer frio aqui no sol e poder te usar no pescoço, no colo de ninar tristezas. e vai. naquele sonho que não espera você dormir. que não espera sonhar.. que só dá de volta o que recebe e ainda dá um pouco mais da solidão que lhe sobra. não mais.
quando se olha por fora se vê o que há por fora, mas o que há por dentro quem poderá ver...não com esses olhos, não da mesma forma que sempre se olhou...não mais assim...por dentro é mergulho, por dentro não há como não encontrar o que se procura...
sábado, 9 de julho de 2011
infâmiazinha
ele não tinha muito o que fazer. mas como ele se tratava de deus, aquele que esteve por aqui e vai estar, o não fazer nada não tarda a findar. e ele resolveu criar uma coisinha num espaçinho ocioso que tinha no seu quintal. foi ali, fechou os olhos, imaginou e depois cabrum... surgiu uma bola redonda, com cores primárias, se vista de longe. eis que vinha pelo universo um dos seus, caminhando pela galáxia como se nada tivesse acontecido. e no fim para ele não havia acontecido nada mesmo. não tinha o dom da premonição. e então ele, que de nada sabia, tropeçou na mais nova criação de deus e caiu. tropeçar e cair é o que haveria de ser mais comum na nova criação. mas até então era erro grave. não havia como se manter o mesmo depois de ter caído...
e depois de ser um caído, ele ficou por ai. sem ter o que fazer resolveu cair mais uma vez, agora em jogatinas, apostas e tudo o que pudesse fazer o tempo da eternidade passar. e como demora quando se tem o tempo todo. e então deus não contente colocou um detalhe aqui, um outro ali, mais um acolá. e chamou de terra aquela bola redonda de terra. era terra pra tudo quanto era lado, como se redondo tivesse lado. era modo divino de dizer...
e como terra serve pra segurar algo que se possa colocar por cima, eis que surge um quadrúpede aqui, outro ali e mais um acolá. sempre que se faz uma coisa aqui, se faz outra ali e ainda outra acolá. cabala... e então numa tentativa mais experimental do que profissional, surge um que diz que pensa, mais diz do que pensa, já que se pensasse não diria e caminha sobre duas pernas ou patas, que no fim dá tudo na mesma. e então as coisas na base de uma semana se dão. é findo!
e a jogatina rolando no espaço, com aqueles que um dia também tropeçaram. que um dia também perderam o equilíbrio, com aqueles que caíram. e o tédio controla as cartadas. mas o que é um tropeço pra quem já está caído, o tal resolve dar um bordejo pela leitosa. numa dessas pra dar um chute naquela pedra que até então não estava ali e que surgiu do nada só para lhe fazer caído... e se depara com um pessoalzinho dominando o pedaço. de terra. e percebe que por mais que se digam inteligentes, lhes falta um tanto de malícia... coisa que tem aos montes os dos tropeços.
e depois de observar as peripécias dos terráquios, resolve apostar com quem tem bala na agulha. aliás, com que é por si só a bala e a agulha... e aposta como dá um nó nos pingos d'água que deus colocou sobre duas pernas. e deus de cara com o caído, mas já tedioso por ter feito a terra em sete dias, resolve confiar na inteligência do experimento. se fosse eu...
e então não preciso nem falar que deus perde, perde feio tal qual viria a ser rotina pra uma seleção de um país do bola que ele mesmo criou. e de vergonha por ter feito um experimento que não dura nada, um experimento com garantia chinesa. deus cospe no chão e sai nadando. e uma vez feito o cuspe divino, já não se deveria chamar de terra a bola, pois dali vieram oceanos, continentes, peixes, tubarões, gravidade pra manter tudo amalgamado.
e o outro voltou pra mesa de jogo. desiludido... mas teria trabalho mais adiante, como teria...
quarta-feira, 6 de julho de 2011
NÃO matarás. não ROUBARÁS. não cobiçarás.
não farás nada.
ficarás imóvel e as coisas ainda assim te acontecerão. tanto coisas boas quanto ruins. acontecerão num trilindar frenético de vozes. como se a sua cabeça, por si só, já não bastasse para guardar os mandamentos.
eu te dou uma tábua. quem sabe duas. elas são suficientes para construírdes uma casa. entende agora o que são tábuas?
ou dirás que sua mente não é capaz de guardar coisas simples como estas que lhe dou. e se não só a ti, lhes dou então.
- Eu não farei a ti, meu irmão, nada daquilo que não faria a mim mesmo.
- Eu não farei nada ao meu próximo, que não faça a mim mesmo.
- Não farei a ti.
- Nada daquilo.
- A mim.
- Não farei.
não farás nada.
ficarás imóvel e as coisas ainda assim te acontecerão. tanto coisas boas quanto ruins. acontecerão num trilindar frenético de vozes. como se a sua cabeça, por si só, já não bastasse para guardar os mandamentos.
eu te dou uma tábua. quem sabe duas. elas são suficientes para construírdes uma casa. entende agora o que são tábuas?
ou dirás que sua mente não é capaz de guardar coisas simples como estas que lhe dou. e se não só a ti, lhes dou então.
- Eu não farei a ti, meu irmão, nada daquilo que não faria a mim mesmo.
- Eu não farei nada ao meu próximo, que não faça a mim mesmo.
- Não farei a ti.
- Nada daquilo.
- A mim.
- Não farei.
um conto insignificante.
é sobre uma caixa repleta de outras caixas de bala. as balas são de mente. aqui não devemos confundir menta com mente. não devemos cometer erros crássos ou crássicos de digitação. aqui não erramos e temos a noção do que este conto significa. as balas são de menta. cobertas por uma fina camada de baunilha. são balas doces. doces balas. as crianças as costumam chamar de "balas de bafo", tendo em vista o poder que estas tem de retirar da boca de todas as pessoas do mundo que se propõem a isso, o "bafo" e trocá-lo por um hálito saudável de menta. hálito de menta é o que se tem como padrão. para os demais hálitos verificar tabela. então se trata dessas balas de bafo e das pessoas que as consomem. num recorte específico da pessoa que as consome. se consome.
então esta pessoa compra pela primeira vez as balas e percebe, assim como quis o fabricante, que há um envoltório de baunilha em uma bala de menta. uma pequena bala de menta que consegue esconder pelo lado de fora um segredo, que se torna uma incógnita. essa pessoa de quem estamos falando ou que nos fala percebe o sabor de baunilha, que dura ínfimos instantes de fugacidade e logo em seguida sente o sabor vendido, a menta. e então depois de terminar de consumir a pequena caixa de balas de bafo. depois de refinar seu paladar, sua vida e suas escolhas mais profundas, a pessoa percebe ter uma preferência quase exclusiva pelo sabor de baunilha. percebe não fazer sentido consumir algo que não lhe apetece. toma uma decisão definitiva.
a pessoa que nos fala decide comprar uma caixa completa e fechada de balas de bafo, por assim dizer. tendo em vista que essa expressão não pode ser usada em outro lugar que não este, que é o lugar de onde esta pessoa nos fala diretamente. sabendo-se que se chegarmos em qualquer local do comercio local de varejo, jamais conseguiremos comprar uma bala de bafo, sem ter que dar amplas explicações ao vendedor especialista de doces e balas doces. a pessoa compra a caixa repleta de outras nanocaixas. a pessoa é objetiva. a pessoa já tem a sua decisão. essa pessoa que se comunica diretamente conosco chupa as balas. mas somente enquanto há o sabor de baunilha. não menta. somente a baunilha. néctar maravilhoso extraído de um lugar que desconhecemos. depois de e no exato instante em que se tem menta, a bala é expelida da boca com um cuspe econômico sem saliva extra. a bala volta ao mundo em sua forma mais cruel e justo por isso, mais natural.
a pessoa tem o filing de percebe onde começa a baunilha e onde ela acaba. não onde termina a baunilha e onde começa a menta. não menta. estamos num recorte específico sabor baunilha.
a pessoa que vos conta pessoalmente este pequeno conto insignificante sabe das coisas. e depois da caixa de balas finda. do mundo cruelmente, mas naturalmente povoado de balas de menta sem baunilha, realocadas no espaço. alguém alheio a pessoa, aos consumidores, as crianças, aos produtores de menta e baunilha, dos vendedores especializados e dos blogs de divagações, pergunta a esta pessoa o motivo dela não consumir balas exclusivamente de baunilha.
é um conto insignificante sobre doces e balas doces. a pessoa que fala com vocês que óbviamente lêem não responde. a que perguntou repete em looping a pergunta relacionada ao doce dos doces. eu não respondo nada. penso em responder. retrocedo ou tarde.
as que são de outros sabores e as pessoas que as consomem não tem como entender. é claro. officorse. as de laranja, são laranja por dentro e por fora. as de maracujá seguem o mesmo padrão internacional de não prometer retirar bafos de bocas comuns. as de cereja são somente isso.
entende que não há resposta?
entende que não há sequer o que perguntar?
não.
um conto insignificante.
então esta pessoa compra pela primeira vez as balas e percebe, assim como quis o fabricante, que há um envoltório de baunilha em uma bala de menta. uma pequena bala de menta que consegue esconder pelo lado de fora um segredo, que se torna uma incógnita. essa pessoa de quem estamos falando ou que nos fala percebe o sabor de baunilha, que dura ínfimos instantes de fugacidade e logo em seguida sente o sabor vendido, a menta. e então depois de terminar de consumir a pequena caixa de balas de bafo. depois de refinar seu paladar, sua vida e suas escolhas mais profundas, a pessoa percebe ter uma preferência quase exclusiva pelo sabor de baunilha. percebe não fazer sentido consumir algo que não lhe apetece. toma uma decisão definitiva.
a pessoa que nos fala decide comprar uma caixa completa e fechada de balas de bafo, por assim dizer. tendo em vista que essa expressão não pode ser usada em outro lugar que não este, que é o lugar de onde esta pessoa nos fala diretamente. sabendo-se que se chegarmos em qualquer local do comercio local de varejo, jamais conseguiremos comprar uma bala de bafo, sem ter que dar amplas explicações ao vendedor especialista de doces e balas doces. a pessoa compra a caixa repleta de outras nanocaixas. a pessoa é objetiva. a pessoa já tem a sua decisão. essa pessoa que se comunica diretamente conosco chupa as balas. mas somente enquanto há o sabor de baunilha. não menta. somente a baunilha. néctar maravilhoso extraído de um lugar que desconhecemos. depois de e no exato instante em que se tem menta, a bala é expelida da boca com um cuspe econômico sem saliva extra. a bala volta ao mundo em sua forma mais cruel e justo por isso, mais natural.
a pessoa tem o filing de percebe onde começa a baunilha e onde ela acaba. não onde termina a baunilha e onde começa a menta. não menta. estamos num recorte específico sabor baunilha.
a pessoa que vos conta pessoalmente este pequeno conto insignificante sabe das coisas. e depois da caixa de balas finda. do mundo cruelmente, mas naturalmente povoado de balas de menta sem baunilha, realocadas no espaço. alguém alheio a pessoa, aos consumidores, as crianças, aos produtores de menta e baunilha, dos vendedores especializados e dos blogs de divagações, pergunta a esta pessoa o motivo dela não consumir balas exclusivamente de baunilha.
é um conto insignificante sobre doces e balas doces. a pessoa que fala com vocês que óbviamente lêem não responde. a que perguntou repete em looping a pergunta relacionada ao doce dos doces. eu não respondo nada. penso em responder. retrocedo ou tarde.
as que são de outros sabores e as pessoas que as consomem não tem como entender. é claro. officorse. as de laranja, são laranja por dentro e por fora. as de maracujá seguem o mesmo padrão internacional de não prometer retirar bafos de bocas comuns. as de cereja são somente isso.
entende que não há resposta?
entende que não há sequer o que perguntar?
não.
um conto insignificante.
compreende?
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