Só apaixonada eu sei viver.
Quando eu ando.
Quando eu como.
Quando estou vendo TV.
Nada sou.
Nada faço.
Não estou.
Mas apaixonada flutuo por entre mundos que fazem tanto sentido.
Sentindo que viva estou.
É só apaixonada que sei quem eu sou.
Mesmo que depois venha a solidão do amor.
Mesmo que não venha nada depois.
quando se olha por fora se vê o que há por fora, mas o que há por dentro quem poderá ver...não com esses olhos, não da mesma forma que sempre se olhou...não mais assim...por dentro é mergulho, por dentro não há como não encontrar o que se procura...
segunda-feira, 16 de julho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
ANTI-matéria
anti.
Com o peso que deram a esta palavra. Já que quando se pensa em antibiótico, todos sorriem aliviados, mas quando se é anti-natural por exemplo, o que se recebe em troca é a dificuldade dos outros em aceitar que anti é antes de mais nada o lado contrário e nada mais.
anti.
Com o mundo todo ao revés. Querendo uniformizar as coisas como acham que elas devem ser uniformizadas. Camisas listradas. Calças lisas. Corpos cheios e cabeças vazias. Um lugar para chamar de seu, que só reflete o que todo mundo quer. Mas esse "todo mundo quer" não passa de uma falsidade, de mais uma uniformização, uma não-necessidade, um processo em que todos somos um da maneira mais cruel, mais banal.
anti.
E nos colocam debaixo da língua, um sonho americanobrasileiroeuropeu pra sonhar. E esquecem que sonho é feito de vento. Não dá pra ser igual. Não dá pra ser de todo mundo, mesmo sendo do mundo todo. Pois se der já não é mais.
anti.
Não basta não aceitar. É necessário, preciso, urgente persuadir o contrário. Se você quer assim eles tentam te dizer que deve querer assado, querer porque todo mundo quer. Fazer porque todo mundo faz. Ser porque todo mundo é.
anti.
E ser mulher e não querer se casar. Não querer um homem. Não querer procriar. Tudo isso é anti-natural. Anti-humano. Anti-real. E então não basta não concordar. Tem que descordar agredindo, e só agredir ainda não é o bastante, tem que convencer a não querer mais, a ser igual.
anti.
Abraçar projetos burros de igualdade. De ser como todos são. Uma massa uniforme, que não se descola nunca, que não destoa, que não deforma, que não se desfaz. E então comeremos uns aos outros para ter dentro de nós o que os outros tem e perpetuar o grande ridículo de querer sempre ser igual.
anti.
Ser homem e não querer trabalhar fora. Querer criar seus filhos, limpar a casa, ou qualquer um desses esteriótipos ao contrário. Não! Não dá pra fazer outra coisa, que numa dessas nem é tão diferente assim. Eles não querem. Eles não acham bom. Eles difundem conceitos de como as coisas devem ser. E cada vez que somos o que achamos que os outros acham que devemos ser, somos esse "eles" também.
anti.
É necessário individualizar. Sem achar que individualização é o bobo "cada um por si", que eles acham que é. Ser a cada momento o que percebe ser necessário. Sem defesas. Sem mentiras. Sem precisar se encaixar debaixo das asas da maioria besta que quer apagar, dissolver, diluir, corroer. Ser, sem medo de em seguida não ser mais. Sem medo de ir ou voltar. Simplesmente por instinto, vontade ou experimentação.
anti.
Nem toda massa é profícua. Existem aquelas, fruto da massificação, que são agentes de desgraça, agentes de divórcio do ser individual, sem o qual não há necessidade de sociedade, humanidade. Sem o qual não se faz necessário mais nada. E quem sabe então um mundo melhor.
Antidoto.
Antidoto.
Antidoto.
Antidoto.
Antídoto.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
ENSAIO SOBRE O INCRÍVEL
Os
seus olhos não vão conseguir tocar. Não conseguirão conjugar a força desta
sensação. Vão querer sorrir e chorar. Vão querer fazer coisas que não sabem ao
certo o que são. Vão querer e poder. Vão poder e querer. Vão e voltarão cheios
de águas deslumbrantes e brilhosas. Não serão falsos, não serão obscuros. Serão
como deveriam ser desde o dia em que nasceram. Você estará num lugar que toca o
incrível. Um lugar que faz parte, que cria, que faz nascer o incrível. Um
incrível possível. Totalmente palpável. Visível.
O
seu corpo vai querer falar palavras que ainda desconhece. Ira se pronunciar o
tempo todo, com movimentos pulsantes que vem de um lugar que você julgava não
existir. Seus pés andarão por caminhos gentilmente desconhecidos, sem precisar
olhar. Sem precisar tropeçar em pedras. Sem precisar ser precisos ou
compassados. O compasso se transformará em algo contínuo.
E
sua mente se derreterá em delícias e desejos de forte ampliação. E escorrerá
pelo lado de fora do seu corpo sem a vergonha de ser vista. Fará vista a uma
humanidade que deveria existir faz tempo. Sua mente ficará se remoldando, se
reacostumando, se customizando com visões de uma grande simplicidade.
Será
e é como um começo antes do próprio começo. Antes de tudo existir, mas quando
já existe. E se sentirá em casa em terra estrangeira. E as palavras flutuarão
por entre seus dedos, fazendo cócegas e provocando arrepios de louvor. Será
como estar em casa pela primeira vez depois de tempos ocultos. Como abrir a
porta de um sonho e entrar. Como esticar o braço para alcançar a si próprio e
poder sentir sua pele macia pelas pontas dos poros bem abertos.
E
na boca sentirá o gosto de todos os gostos. Se plantando no céu que há em ti.
Sentirá que há gosto em tudo o que há. O ar que entrar pelos seus pulmões fará
com que seus órgãos internos flutuem. O ar que entrar pela sua garganta fará
com que seus pés fiquem plantados, desde a planta até os dedos. E sua cabeça será
como o mundo, grande, enorme, gigante, não terá peso, somente uma memória
repleta de fotografia digitais tiradas por olhos ávidos por coisas comuns.
As
encontrará. Coisas comuns espalhadas pelas quadras. Pelos imóveis de número
ímpar, pelos pares que andam pelas ruas. Será bom. Como dormir e sonhar e
acordar sonhando e decidir a hora de terminar de sonhar e preferir não
terminar. E tocar tudo com as pontas dos dedos dos olhos nus. Tocar tudo com a
ponta da língua em riste na frente do corpo reto que caminha sem precisar
saber.
Será
um presente incrível, permeado por passados futurísticos, se misturando ao que
é vivido naquele momento. Serão dias reais em pensamentos oníricos. Será assim
quando habitar o lugar da tua pele.
Será
assim em Montevideo.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
dança.
Alguém para dançar.
Dançar uma música.
Música qualquer.
Que faz os corpos se embriagarem.
Dançarem sozinhos.
Ainda que acompanhados.
Que faz corpos se amarem.
Sem depois.
Que faz dois corpos aparecerem.
Um para o outro.
Como se estivessem nús.
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