quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A mentira é verdade.

Mente que não está calor demais. Que vai suportar.

Mente que não sente o mundo desabar. Consegue Aguentar.

Mente por horas. Por prazer. Por loucura. Por nada mais.

Mente para que a vida seja algo menos impossível.

Que a dor é pouca. Que não está meio louca. Que sabe o que está fazendo. Aonde está indo. O que está acontecendo. Que já comeu. Que esqueceu. Que vai ficar bem. Que quer também. Que não é tudo igual. Que se sente especial. Que escovou os dentes. Que ainda tem dinheiro. Que tem sossego. Que não tem medo. Que guarda segredo. Que vai melhorar. Que vai acabar. Que chegou a hora. Que nunca vai embora. Que sabe que sim. Que sabe que não. Que ama. Que sonha. Que realiza. Que pensa. Que sente. Que sente muito. Que conhece o discurso. Que entende o percurso. Que não gosta do outro. Que já quer dormir. Que já quer acordar. Que está satisfeita. Que se respeita. Que sabe da cerca. Que a vida é perfeita. Que é como dá para ser.

Mente que está acordada.

Mente não ver a estrada.

Mente. Pois na verdade. Nem sabe mentir.

sábado, 15 de setembro de 2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

PARA PINTAR FORA DO QUADRADO.

AINDA é preciso que exista um quadrado. Ao menos para mim. Admiro que consegue pintar fora de figura qualquer, sem que a figura seja necessária. Mas para mim e meu lado cartesiano, o desenho ainda é presença importante. Eu sempre vou e volto. Eu sempre estou aqui e lá. E cada vez que eu vou eu penso. E cada vez que eu volto eu repenso. E desta vez tive uma visão espetacular. 
RECLAMAMOS muito de tudo. Nós brasileiros. Aqui em Curitiba não é diferente. Somos retos. Duros. Queremos o preto no branco e o branco no preto. E as coisas tem que ser assim. Talvez em poucos outros lugares as coisas sejam tão "senda reta" como aqui. Lixo que não é lixo, não vai para o lixo. SE-PA-RE! Esquerdo é esquerdo e direito do outro lado. 
ENTÃO é ai que surge a vontade de transgredir. De fazer diferente, de colorir o cinza, de pintar fora do quadrado. Entende? Na minha mente ficou claro de onde vem essa vontade de fazer diferente e fazer a diferença. De tanto ver tudo certo demais. De tanto ver as aparas muito aparadas. E então isso me instiga em ter um movimento contrário.
LOGO me vejo em Salvador. Uma cidade colorida. Em que é preto no branco, azul, amarelo. Em que lixo é lixo e depois a gente vê o que faz. E lá fico eu. No meio do caminho contrário. Tentando ordenar logicamente as coisas. Querendo colocar tudo no mesmo quadrado. 
FAÇO então de mim a mais curitibana de todas. Sou lá, muito mais curitibana do que sou aqui. Quero dar ordens que não são ouvidas. Quero reproduzir lá o que os outros fazem aqui e que sempre reclamei. Quero ficar o tempo todo puxando a vina para o meu lado.
PERCEBO  então que numa cidade que já tem todas as transgressões possíveis e imagináveis, minha vontade primeira é a de ficar dentro das linhas. É ordenas, ordenar, ordenar...
CADA coisa tem a sua hora. Cada coisa tem o seu lugar. E perceber os quadrados que aqui pinto do lado de fora e os quadrados que eu quero desenhar por lá, me fez ver o que é o que. E já diria meu pai: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. 
FICA a lição e a dica. Cada um sabe o que precisa na vida, ou em um determinado momento da sua vida. As vezes é preciso extravasar os limites do desenho e pintar fora da linha para poder sobreviver. E perceber que o desenho é seu e não há motivo para impor os seus desenhos para quem já sabe pintar, alivia a alma e faz voltar a respirar... 

domingo, 12 de agosto de 2012

DIREITO de sentir DIREITO

PELO direito que eu tenho de sentir o que sinto e isso ser suficiente. já que ninguém está dentro do meu coração e do meu pensamento para saber o que sinto e mensurar se é isto mesmo ou se é de outro jeito. tenho a capacidade de sentir as coisas que me rodeiam e por fim tirar minhas próprias conclusões a respeito do que sinto. e não há nada no mundo mais sagrado do que ser dona dos próprios sentimentos e sentidos.
SE eu digo que gosto, acreditem em mim. se amanhã não gostar mais, posso voltar ao ponto inicial a qualquer tempo. mas no momento em que sinto isso ou aquilo, devem todos, ter respeito pelo meu sentimento. tendo em vista que cada um tem suas vivências e sente as coisas do seu jeito.
AS massificações não prestam e disso todos, de um jeito ou de outro, já falaram um pouco. mas pior do que isso é o defeito de achar que sabe o que o outro tem por dentro. se eu digo que meu dente dói, não me desacreditem, o dente está em mim e eu é que sei o que suporto e em que momento. não importa se alguém realmente está com uma coisa ou outra, o que importa é o que está sentindo. e isso não tem como negar, mas também não tem como provar. então está feito.
EU não quero que você seja como eu, ou que goste de tudo o que eu gosto. só quero que seja complacente, descente e transigente em relação aos meus sentimentos. quero ter o direito de sentir direito as coisas de dentro. sem que você, ou qualquer um que seja, desconfie da minha fome, dor ou pensamento.
POIS enlouquece e entristece qualquer cidadão sentir de um jeito e ser levado a pensar que está errado. que tem que gostar, que tem que achar, que tem que ser o que acham os outros. pois assim se perde a individualidade tão imprescindível para o bom funcionamento da humanidade.
SE eu digo que não, me deem um tempo para ver se meu não é eterno ou somente passageiro. tenho meu tempo interno que não pode ser baseado no tempo do tempo. Na maioria das vezes, eu me respeito, e também te respeito, então não exijo menos que o mesmo.
E tenho o dito. cada ser humano sente as coisas do seu jeito e por mais impossível que seja, devemos tentar, ainda que a contra gosto, não querer sentir o que ele sente, pois isso é viagem das mais inóspitas, mas respeitar o seu sentimento. e se amanhã ele voltar atrás no que disse, que seja louvado por ter tido tempo de voltar e rever o que foi dito. e não desmerecido e achincalhado por aqueles que não erram e por isso mesmo, nada sentem!