segunda-feira, 10 de março de 2014

Não é tudo?

Você já se vingou hoje?


Todos os dias as pessoas se vingam. 
De uma pedra que estava no caminho. 
De uma pessoa que estava no lugar errado, na hora errada, fazendo a coisa errada.
Mas e você?
Já se vingou hoje? 
Ontem? 
Num dia há muito tempo atrás?

Hoje me deparei com uma situação que me fez pensar sobre o SER HUMANO  e a sua necessidade quase nata de se vingar. Não daquela vingança "prato que se come frio", elaborada a muitos e muitos pensamentos, que leva meses e até anos para acontecer. Não! Falo daquelas vingancinhas diárias, aquelas que fazemos sem nem mesmo planejar.
Estava eu entrando na piscina, primeira aula de hidroginástica. Desci a escadazinha que levava até a água. As pessoas queriam cumprimentar, alguma delas. Outras olhavam só por curiosidade. Curiosidade a minha em perceber, depois de ter dado dois passos para fora da escada, que havia um degrau, não imenso, não um abismo, mas um degrau considerável que fez com que eu tropeçasse e quase caísse. Não cai pois estava na água!
Pensam que alguém, dos que queriam cumprimentar, conhecer, fazer amizade ou só olhar disse: Ei mocinha, cuidado, tem um degrau ai...
Não. Ninguém disse...
Eles esperaram eu descobrir aquela pedra no caminho sozinha. E depois uma meia duzia de velinhas e velinhos, (sim!) daquelas bonitinhas que ajudamos a atravessar a rua, riu pra dentro com ar de "olha lá... quase caiu, como aconteceu comigo no primeiro dia de aula!".
E então olhei para elas. Olhei bem séria para elas e ri! Ri de não ter caído, de saber que elas poderiam ter me avisado, mas preferirem deixar que eu descobrisse sozinha. Ri delas terem se vingado de alguém que eu nem sei quem é, e que lá em mil novecentos e bolinha não as avisou sobre o degrau.
As nossas pequenas vinganças diárias... Aquelas que não escolhem vítima, hora ou local... Aquelas que simplesmente acontecem no afã de dar aos outros uma pequena lição de como a vida é e de como pode ser.

P.S. Se amanhã eu estiver na aula e perceber alguém que nunca vi, acredito que vá mencionar o degrau... Não sei... Mas me parece mais coerente com a maneira que acho que a vida deve ser. Já daquela "inimiga-invejosa" que falou mal de mim... Bem... Ai já não posso garantir que não haja nenhum chiclete no cabelo.

domingo, 9 de março de 2014

Sobre se acostumar... Ou não!

Lutar ou se acostumar?


Qual o tamanho da sua resiliência?

Até quando devemos lutar contra o que se mostra cada vez mais presente?

Quando éramos crianças, lá pelos anos 80, todo mundo se visitava, se escrevia, mandava cartas, cartões e afins. Todo mundo ia tomar um café na casa do Fulano, um almoço na casa do Ciclano e recebia Beltrano para um churrasquinho em sua casa. As pessoas costumavam "passar o dia" na casa de amigos e parentes, no melhor estilo "all inclusive". Dava tempo de comer, conversar, jogar cartas, das crianças brincarem e por fim, assistir alguma coisinha na televisão ou ver uma porção de fotos recém reveladas.
Eram dias diferentes. As pessoas falavam por horas ao telefone. E a tal mania de "teclar" ainda não era prevista pela maioria. Tempo não era um artigo de luxo, e sim de necessidade básica, disponível e na maioria das vezes pouco notado. As pessoas não andavam para cima e para baixo com seus relógios-bomba grudados no pescoço.

E então se passaram uns 30 anos.


Quando foi a última vez que você passou um dia inteiro na casa de alguém? E este alguém, quem era?

Temos conversado muito sobre isso. Sobre convidar e ser convidado. Sobre este tempo que nos acorrentou uma bomba no pescoço e agora nos assola. Temos conversado sobre os amigos, sobre os parentes e sobre os conhecidos. Temos conversado sozinhos. 
Aquele costume parece que tem se tornado cada vez mais démodé. Temos tido cada vez menos tempo e por conseguinte mais preguiça em convidar e sermos convidados. E quando acontece, lá de vez em quando, tudo tem hora certa. A hora certa de chegar. A hora certa de comer. A hora certa de conversar. A hora certa de postar e fazer check-in, sim, temos que fazer check-in! E mostrar que somos antenados, conectados e com internet de alta velocidade, fulltime!!

E agora?

Devemos nos acostumar com isso ou lutar?

Como é que devemos agir nesses tempos? Aceitar que tudo mudou, que as pessoas não são mais as mesmas, que nós não somos mais os mesmos... Ou lutar com unhas e dentes para passar dias inteiros na casa dos amigos? Cavar tempo para estar presencialmente com as pessoas que presamos? Ou ficaremos mandando posts de onde estamos (sozinhos!), contando ao mundo que estivemos ali, aqui e acolá, sem saber sequer com que roupa ou sentimento estavam os que nos acompanhavam?

O que devemos fazer?


"Olá! Tudo bem? Como é que você está? E qual é a senha do seu wi-fi?"


OBRIGADA POR TER SIDO CONVIDADA PARA ES-TA FES-TA!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SE e somente SE.

E se eu não tivesse estado (a)onde estive.

E se não tivesse feito o que fiz.

E se?

O se nosso de cada dia, que nos atormenta ou nos acrescenta (?), se cada vez que pensamos se, morre alguma coisa em algum lugar ou nasce. Somos programados para pensar. Pensar e nos arrepender. Nos arrepender do que que fizemos, nos arrepender do que não fizemos, do que pensamos, do que somos, do que fomos, do que seremos. O arrependimento é o que nos alimenta os dias e as noites sem sono.

Mas e daí?

E se ao invés de nos arrependermos?

E daí?

Como seriam as coisas se não houvesse o arrependimento?

Eu não sei! Não sei se seriamos mais felizes ou mais tristes. Se pessoas melhores ou piores. Não sei.
Dizem por ai que tudo tem a sua medida. (Medida Certa?) Que tudo tem a sua hora e o seu lugar. E se assim for, teremos o nosso momento de arrependimento e nada mais. Teremos o lugar certo para nos arrepender das nossas coisas, sejam elas feitas ou desfeitas. Teremos isso para nos agradar. Mas e depois?Depois do leite derramado, quem é que vai secar? Ele ou ela que chame um gato.


(para lamber os seus pecados, um gato)


Se eu não tivesse ido aquele lugar, não teria tropeçado, não teria caído, não teria ralado feio o joelho, não teria despertado novamente o medo que mora em mim, não teria acontecido nada disso. E também não estaria aqui hoje com os dedos no teclado, escrevendo essas agruras e questionamentos que alguém vai ler e que vai fazê-lo-la refletir e quem sabe mudar sua vida para sempre.

**

Se eu não tivesse aberto meus olhos naquele dia, não teria te visto, não teria me apaixonado, não teria sentido minha vida virar de cabeça para baixo, não teria feito metade das coisas boas e bobas que fiz e não saberia o que é ter alguém que também te tem.                    

Se a vida não fosse como é/
não seria como é a vida. E não estaríamos aqui, nem eu e nem você. Sim... Você que está ai, agora, com os olhos colados em alguma tela.

Existe um se para cada se. E se é assim, é assim que deve "C"!!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

OIRÁRTNOC OA

COMO  se você vivesse assim. Se só de costas pudesse ver. Se só ao olhar para trás pudesse compreender.

DO AVESSO.




É como sua vida se tornou. O que poderia estar por dentro agora está por fora. O que deveria proteger está escondido. E o resto, frágil, débil, todo exposto aos arranhões que as pessoas sabem oferecer. Como se ao invés de dormir você acordasse. Se quando tivesse fome achasse mais correto não comer. Eu tenho fome! E você? O que é que você tem? Você está tão calado hoje. Tão quieto. Ao contrário de falar, calou.
E se são nossos próprios pés que nos encaminham, como podemos seguir caminhos tão adversos? Tão perversos somos conosco. Sempre deixando para depois. Quanto tempo você ainda tem? Não tanto quanto você gostaria de ter bebê!
A vida não tem rédeas, ela costumava dizer. Dizer e chorar. Dizer e rir de si mesma por ter sido tão tola. Por ter acreditado tanto em si. Em dó. Em ré. Os sorrisos são roupas, que vestimos para ocasiões especiais. Os sorrisos são roupas gastas que se amarelam com o tempo. Os sorrisos verdadeiros parecem meio demodês.
Quando mesmo as coisas deixaram de ter aquele gosto? Quando mesmo o desgosto passou a ser o gosto de tudo o que conseguimos provar? Quando mesmo? Que dia é amanhã? Quando mesmo amanhã vai se tornar hoje? Quantas perguntas são necessárias para sobreviver?
Duas dúzias e meia. Meia dúzia e três. Três vezes mais do que você gostaria. Cem por cento do que pode ser. E acabamos tomando refrigerantes demais, sem nem ao menos saber do que eles são feitos. E se soubéssemos, se soubéssemos o defeito do que ele é feito... Nem assim deixaríamos de tomar. Tomar é a nova moda! É o novo preto! É básico! Diriam por ai...
E desde então somos engolidores de facas. Afiadas por nossas próprias mãos. Somos o desafio ao contrário. Somos o expectador torcendo para alguma coisa, qualquer coisa, talvez até uma coisa estranha e má acontecer. Somos o contrário do que achamos, simplesmente por achar tanto. 
E desde então precisamos de chão para o nosso pé. Para levá-lo para passear, sem tanto, sem tão pouco. E desde que as coisas começaram a se comportar como nós nos comportamos com elas, ao contrário, começamos a desver, desamar, desdormir, descomer, desfalar, desdizer, desviver.

P.S: 

Instruções para se desvirar.

Não existem instruções para isto. Aguarde. Em breve...