terça-feira, 6 de maio de 2008

em análise: MATERIAL HUMANO...

vamos fazer um estudo apurado sobre o material em questão na aula de hoje...que entre com suas próprias pernas e vontades "o material"...que adentre este recinto o dito material...VEJAMOS...TRATA-SE DE MATERIAL HUMANO...pausa quase silênciosa...não fossem algumas transpirações, não fossem alguns pensamentos...não fossem aquelas emoções depositadas ali mesmo...o material puramente humano, que outrora fora visto como artístico e até intelectual, pára defronte a sala repleta de celulose e carbono e humanidade...respira com certa frequência, com certa cadência, nota-se certo nervosismo material, já que o material em questão é observado e sabe que manter-se-á por horas neste estado de plena observância e análise...ser observado enquanto o mesmo ainda observa...ser material humano dentre outros da mesma materialidade...ser e só ser...não outra questão...ver as conclusões á que chegam os outros materiais na figura de observador, o quanto se distanciam da humanidade ali presente, o quanto pode descrever de forma técnica do que são feitos, esquecendo-se assim que são eles mesmos os próprios descritos...vamos fazer um estudo apurado do que são os outros, pois em nós mesmos não cabe estudar, não cabe ver, não cabe notar...vamos ver o que nossos próprios olhos nos negam...vamos humanizar o que de tão humano parece quebrar-se ao mínimo toque de vistas...vamos analisar, escrever em relatórios, relatar...relatar o que mais tarde será julgado e testado por outros, que olham outros e que de nada servirá...pois sendo material humano, por humano material analisado...sendo isso enfim...o que restará...

escolhas...

você terá que escolher entre ir ou ficar...você terá que escolher...e eu ali parada, suspensa por um segundo no ar que me rodeia...eu estava suspensa no suspense do momento em que teria que fazer uma escolha...não uma escolha como as de futilidades que fazemos todos os dias, não a escolha de uma blusa ou sapato ou coisa que o valha...uma escolha de ir ou ficar...uma escolha profundamente humana...e cheio de material humano estavam os dois lugares...cheio de perspectivas ambos, desafios, novidades...o que usar como juiz, como escolher sem errar...então pegue papel e caneta, escreve uma lista...faça um lista como fez o Osvaldo á algum tempo...um lista do que você fazia a alguns anos atrás, o que você ainda faz hoje em dia, o que você já não lembra mais...quais seus sonhos de outrora, o que te fazia sonhar...quantos destes estão realizados, quantos você não lembra mais...onde pensou que estaria hoje em dia, e onde realmente está...coloque tudo no papel e releia quantas vezes forem necessárias até que se decida em ir ou ficar...e aceite por mais que lhe doa, aceite por mais que esteja errada, pois será que existe certo ou errado...pense que é preciso tentar...cada escolha leva á um caminho, e como só existem duas pernas não há como caminhar por todos eles...não me lembrava que este tipo de escolha costuma ser tão dolorida, fazia tempo que viva de encaixes e não precisava escolher, nem ir, nem deixar...fazia tempo que estava em trabalho de desapego, fazia tempo que não me lembrava mais...esse meu medo de trabalhar o desapego e deixar de dar valor as coisas que realmente importam...de esfriar...de desvalorizar...esse medo de não ter medida, de não saber...ontem já acabou, hoje a decisão está tomada...sofremos todos com isso, mas vai passar...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

saudade...

saudade de um tempo que não vivi, de pessoas que nunca foram minhas, talvez saudades daquelas que nunca conheci...um cheiro que não passou pelo meu ar, um gosto que nunca provei...saudade de um tempo que ainda pode estar por vir, saudade de dejávu...saudade de estar em branco de não pensar em nada, não sei se este tempo chegou a existir, mas tenho saudade de tudo que ficou encalacrado por ali...saudade de não esperar da vida nada mais do que vai realmente acontecer...de poder ver o que acontece...saudade de me aquietar em mim e ficar ali, talvez até contemplativa das coisas que me fazem, das que não tenho, pois bom mesmo era não querer ter nada pra si...saudade de mim quando tudo era tão grande e eu, só pequena em tamanho, só pequena de pernas, pois os pensamentos alcançavam tudo o que quisesse ter...saudades de coisas absurdas, até dos "absurdos da mente" que sempre me fizeram tão bem...isso mesmo, não é saudade de ti, nem de mim e sim uma saudade de todos nós...de todos nós assim mesmo juntos e caminhando e lado a lado e sempre em frente e todas essas
"pieguices" da vida feita assim, sem mais nem menos, com tudo nos conformes, saudade de sei lá o que, quando se sabe exatamente o que...só uma saudade...