segunda-feira, 5 de outubro de 2009

quem sabe da dor, da tristeza de não estar nem dentro, nem fora, talvez dela possa surgir algo novo...
talvez possa imergir de dentro do peito um sentimento que possa substituir a não vontade, possa trazer um respiro para o já tão desgastado ar...
talvez seja mais do que cumprir as tarefas que me foram dadas, talvez possa viver o que ali se passa, mesmo que sozinha, mesmo que sejam poucos os momentos em que todos me acompanham...
talvez seja hora de deixar de lado as não gosturas que a vida nos apresentar e seguir em frente, sem olhar para trás, sem olhar e sem pensar...
que sabe seja hora de seguir os instintos e deixar acontecer o que tiver que acontecer, lavar as mãos em bacia de água limpa, secar em toalha branca e passar creme para amaciar...
deixar pra o depois o que pode ser depois e só por lá...
talvez seja hora de jogar fora os pré-conceitos e deixar acontecer o que quer que seja, o que quer que esteja programado...
talvez seja hora de perceber que nem tudo é fácil e prazeroso como música e dia de sol...
talvez seja hora de fazer um pic-nick na chuva e aproveitar o dia mesmo assim...

domingo, 4 de outubro de 2009

a boa música é o gracejo da alma

e depois de um céu em cinza, cinza escuro, carregado de íons negativos, de negatividade... depois de dias fechada num canto escuro, com pedras vindo de todos os lados, de frente, de costas, de mim mesma... depois das pedras atiradas, do sangue escorrendo pelas partes atingidas, do sangue seco, das ranhuras, das dores, das decepções, das desilusão...depois de tudo...
um gracejo em forma de música, um alimento pr'alma, uma acalento...
depois do depois, a certeza de que uma boa trilha sonora nos trilha um caminho bem melhor, bem mais claro e leve...
um gracejo que permanece quando o som cessa, quando se vão os aplausos e a poltrona não é mais almofadada...
um gracejo que faz o vento dançar e levar pra longe o que não se quer, nem por perto, não se quer nem de longe...
um gracejo que ataca de cara a boca do estômago d'alma, que pega pela mão as coisas de dentro, que passa borracha no que não foi assim tão bom...
que deixa na vida um gosto de gafieira, de baile, deixa no pé do ouvido uma valsa, um pé de valsa no pé do ouvidinho...
que deixa no corpo todo um sacolejo, que apaga com corretivo os erros que poderiam não ter sido, e já que foram, merecem mesmo ser apagados com gracejos...
e a trilha sonora no fim de noite de domingo, depois de final de semana sem fim pros desafetos, pros desamores... a trilha me encaminha pra um só pensamento...
quando o batuque começa lá fora, aqui dentro outras coisas batucam que não instrumentos, batucam e deixam na boca um balaco-baco...
quando o som se propaga na caixa preta, a caixa vermelha vibra e os pés teimam em ficar pra lá e pra cá, e os quadris acompanham e acompanha logo o corpo todo...
me lembro que depois do depois, é de fuleiragem que sou feita, é pra fuleragem que tenho que ir quando mais nada me interessa, quando nada mais me agrada e menos ainda me importa...
e deixo crescer em mim o fuleiro, me deixo levar pra fuleiragem de braços e peito abertos, pernas dançantes, braços em hélice, sandália de prata...
deixo vir até mim a fuleiragem que me reconhece, me pega pela mão e me diz, que sou bem Nega Fuleira mesmo!!!
Vamborá fuleirá que a boa música é o gracejo d'alma!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

borboleta sem asa ou a inutilidade dos inúteis

fiz uns escritos
esses vão direto pra você
são escritos bem miúdos
são escritos bem escrotos
um apanhado de palavras
um apanhado e batido
borboleta sem asa
perdeu toda beleza
borboleta sem asa
já não voa com leveza
te dou essa rima
tão ruim quanto o que faz
tão bom quanto o que não é
te dou essa rima inteira
rima de banheiro
rima de revés
te dou a rima dentro do poema
lusco fusco fosco fraco lasco
te devolvo
te devolvo em dobro
uma borboleta e arranco as asas
uma borboleta despenada
deixo as asas numa caixa
já não servem pra nada
já não mais


resolvi fazer uma poema
sem muita utilidade
moral
e
cívica
resolvi escrever o que penso agora
neste exato momento
um sentimento
uma pulsação fraca
que bate no meu peito
que já pulsou forte
que já escreveu fortunas
resolvi escrever pra ver
pra saber se percebe
quão ruim é ser inútil
desfuncional
fútil
sem carga
positiva
ou
negativa
sem dom
sem brilho
sem graça
desgraça
barata tonta sem pernas
que simplesmente não vai
que simplesmente não faz
que simplesmente não é nada mais
do que uma inutilidade
a dos inúteis
só pra ver se se toca
num disco não riscado
numa vitrola bem boa
se afina o pensamento
com o que tenho aqui dentro
e se toca nas partes do corpo
e se fringe como ovos mexidos
mexe por dentro
se choca
e coloca umas sacolas plásticas biodegradáveis
no lugar das ex-asas
se degrada
me agrada
fazendo
vivendo
sendo
estando
pensando
ando
ando
ando
do
do
do
do
o
o
o
o
...

o que pulsa...

pulsa um sentimento indefinido aqui dentro, não é uma confusão, não...
pulsa um sentimento que não posso definir com meras palavras, com essas que já sei, que já conheço...que já são...
pulsa um sentimento com leve tom estranho, com leve nota (des) conhecida...
não uma falação, não um blá-blá-blá... uma quase canção...quase um ninar, uma melodia melosinha...
poderia fechar, poderia nomear, poderia fazer muitas coisas, guardar, ignorar, amarrar, sumir, esconder, não sentir...verbalizar...
mas borbulha dentro, borbulha como bolhas de sabão, como flocos de neve, como copo de refri gelado em cima do balcão...
um sentimento pequeno, bem pequenininho, mas que reverbera, que reage, que refrigera minhas coisas de dentro...
uma sensação-sentimento que deixa perguntas pulsando aqui dentro, mais uma vez...
não paixão, não amor, não satisfação, não todas os outros adjetivos amarelados, uma novidade que talvez não seja tão nova assim, e é ai que reside toda força deste novo que é quase velho em mim...
não há mais ninguém metido e misturado nessas coisas, o que é impressionante, fico olhando pra dentro e forçando descobrir o que é... essa novi, essa coisa que sinto, e só sinto...
quando mais olho pra dentro menos vejo...
sinto um estranho risinho que se forma acima do umbigo, enquanto forma-se um chorinho logo abaixo do mesmo umbigo.
tenho medo e coragem ao mesmo tempo, tenho vontade e preguiça... tenho uma balaio de gato aqui dentro, mas dentro dele já sei que gato não há...
e minha ansiedade me mata de vontade de saber e dar um nomezinho carinhoso que seja pra essa ferveção toda...
e minhas coisas de dentro se perguntam, me perguntam o que será???
chegará o dia em que viver o momento será suficiente pra me deixar viver em paz...