quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

nome

um dia me disseram que a única possibilidade para a não pulsação é a morte.

(um nome.)

não voltaram a me explicar certas coisas.
(o nome.)

mas não entendi como se morre por dentro e se continua vivo por fora.

(nome.)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

sob o amor

com os olhos dentro do seu eixo e um vento que perpassa por dentro e arrepia a pele na presença de uma imagem que se tornou a sua face em meu bolso que dói de saber coisas que nunca pude suportar e as palavras se tornam acessórios em nosso repertório de ilusões que criamos sob encomenda um para o outro e deixamos de nos falar por dias e nunca mais conseguimos retomar o percurso que nos levaram a fazer aqueles sentimentos expostos na sala como quadros imóveis de dor e pudor e as faces já vermelhas de tapas e vergonha de ser pulsante o amor que vive ali e uma recriminação pairando sobre o desejo de ser mais forte do que o desejo de ser com as mãos e pés dentro do corpo do outro que se mexe sem desmanchar os castelos de sangue que conseguimos fazer com pás e colherinhas de afeto e a água que pinga de nossos lábios selados em beijos de dor como se pudessemos voltar e fazer novamente as escolhas que fizeram por nós como as cores de um céu mudando o mundo que nos circunda e passamos a arranhar os corpos mortos que nos jogam sobre os ombros e cochichamos em nossos ouvidos gemidos de alegria e solidão eu vou olhar nos seus olhos e vou sentir meus poros pularem num precipício de palavras macias onde sonho morar

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

de quando a esperança passou a ser lâmpada

pois decidiu que assim seria, seria assim que a esperança seria. como uma lâmpada fria que nem sequer ilumina uma pequena sala escura, onde deveria residir tudo o que há. tudo o que pode haver caberia naquela pequena sala escura. que sempre foi escura, mas que de uns tempos pra cá passou a ser seca e fria. e tomou muitas outras diversas decisões, tão frias quanto, tão escuras como e das quais pouco se arrependeria, já que aprendeu a se arrepender bem pouco, desde de que se tornou pequena, seca e fria. decidiu não fechar mais os olhos, não dar passos uns na frente dos outros, decidiu seguir em frente como podia. já que como podia era o conseguia. decidiu ser só pele e osso. não ter mais sono, medo, frio na barriga ou dúvida. decidiu pautar a vida por pautas que não seriam as de música e sim as de reuniões de negócios. percebeu que sofrer por amor havia saído pela porta daquela sala e não havia mais voltado. que não voltaria. perdeu naquela escuridão a fé, piedade, dor, saudade, toque e preferiu não perder a esperança só para poder vê-la transformada em uma lâmpada fria, instalada numa gambiarra no canto da sala, um cantinho pequeno de uma sala pequena e que tornou tudo frio, seco e desgastado, num tom sephia feio, de um ar estagnado que sequer consegue entrar e sair dos pulmões. e já sabia que não conseguiria mais deitar de costas e chorar. tinha aberto mão disto também. e o coração já não passava de um pedaço de carne mal passada, num eco de pele e ossos a se deslocar por um espaço apertado e em um tempo inexistente. escolheu a sem-gracisse. o desfocar. uma reta que terminava no infinito, sem curvas, sem paradas, sem. e tudo não passava de um borrão do que desejou um dia ter. um borrão não de um bom desenho, mas de um rabisco provisório sem cores que pudessem terminar num borrão vermelho ou magenta. apenas uma mancha tão escura quando o recinto que vivia de uns tempos pra cá. apenas um borrado de tons sem propósito esperando  o dia da lâmpada queimar. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

minha pequenina marchinha interna

vamos falar de amor? de tratar o outro como queremos ser tratados e que nunca será como sentimos que queremos, pois o que é que é pra mim que não é o que é pra você. mas sempre dá pra aproximar as pontas sem derrubar o que há no meio, sempre há como fazer uma dobradura bem bonita, com o papel do afeto, com o papel do respeito. e de vez em quando paramos de pensar só em nós mesmo e passamos a dar uma olhadela no outro e perceber que numa dessas esse outro também é nosso e esse nosso não é no sentido de nosso, mas no sentido de nosso. entende? e quando percebemos por uns instantes bem pequenos, podemos tornar certas coisas bem grandes, certas coisas do tipo coração, do tipo amor, do tipo respeito. podemos fazer o que nos vem a cabeça, nem que seja só por uma noite, só por uma noite. e depois no dia seguinte seguimos com a nossa vida, mas ela não segue mais sozinha, segue pelos passos da contaminação que se dá quando algo muito bom ou algo muito ruim acontece. e talvez certas vezes dependa de nós o "muito ruim" ou o "muito bom". talvez muitas coisas dependam de nós. o "nosso" talvez dependa do nós. mas mesmo que não sejamos capazes de amar assim todas as horas, os minutos, os segundos, ainda que na maioria do tempo sejamos nós manipulando o nosso para que vire um outro tipo de nosso. mesmo assim, naquele segundinho ali, em que percebemos a presença do outro. neste momento somos capazes de fazer o que fomos feitos para fazer. somos capazes de respingar em nossos corpos uma espécie de tinta fluorescente, que não dá pra ver sempre, mas hora ou outra vai brilhar. e quem sabe, com tanta gente pelo mundo, num segundinho aqui, num outro ali, o tempo passe melhor do que tem passado neste passado que vivemos agora!