quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

retratos de mulher...fotografia lambe-lambe

retratos lambe-lambe


(diomira e oscar)

a mãe da minha mãe ouvia rádio e cantarolava enquanto realizava os seus afazeres diário...


(dirce e adelcio)

a minha mãe ouve rádio e cantarola enquanto realiza os seus afazeres diários...

(luciano e aline)

eu ouço rádio todos os dias, esteja realizando os meus afazeres diários ou não...

nós ouvimos rádio...

eu...



eu tenho um furacão que rodopia tudo o que tem dentro de mim, mista tudo...mexe em tudo e tira tudo do lugar...nada fica parado sempre ou para sempre aqui dentro, aliás, acho que pra mim não há um para sempre, ainda que volta e sempre eu insista em dizer isso (sempre)... e tem dias que ficam marcados pela força desse vento que roda...tem dias em que ele me deixa tão animada que sou capaz de voar, noutros sou capaz de parar de bater asas em pleno vôo, e isso não é muito bom...mas são só dias, eles como tudo o que há na vida passam, tai mais uma das minhas incoerências...tudo na vida passa, fácil de falar, quase impossível de fazer...eu sou assim falo muito e faço pouco, por vezes não faço nada, não quero mudar e nego as ações pra poder me resguardar...por enquanto eu sou assim, mas não posso garantir o amanhã...não sou muito de garantias, o que posso e faço é pra agora, no máximo pra hoje, amanhã já não dá pra saber...pode ser um defeito, mas tmb pode ser qualidade, tudo em excesso é veneno, eu posso ser tmb, deveria vir com faixas de isolamento, do tipo não chegue muito perto, cuidado, danger...eu sei disso, só não sei se quero mudar...não sei...nem eu me entendo em dias assim, como posso querer que os outros saibam de mim???...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

ele já sabe o que é felicidade...

ele descobriu naquele dia o que é felicidade, se chama JOÃO PEDRO ROCHA, é assim que ele diz seu nome com orgulho a todos que conhece, e no dia que vou lhes contar ele descobriu a bendita da felicidade...primeiro veio o medo do desconhecido, mas ele ainda não sabe o que é o desconhecido, deve ter sentido algo estranho e deixado partir, logo depois veio a amizade, mas ele também ainda não sabe o que é amizade, deve ter confundido com liberdade, que é o que ele já conhece, e depois então, veio de braços abertos a felicidade, ele saiu do portãozinho de madeira, que adorava trancar pelo lado de fora, e já no quintal, sim no quintal (veja se tem lugar melhor pra descobrir a felicidade) ele viu aquela pequena criatura a sua espera, se chama piti, tem uns vinte centímetros de altura, pêlo preto e branco e os olhos brilhantes e redondos como duas buricas...ela veio correndo com toda a liberdade que ele conhece, e com a garrafinha de óleo vazia na boca cheia de dentes que parecem não saber sorrir, mas sabem, como sabem...ao chegar bem pertinho dos pés dele, ela (piti) largou a garrafa e deu aquele sorrizinho engraçado que ele entendeu mais do que eu e nada mais precisou ser dito, ele pegou a garrafa nas mãos pequenas e jogou o mais longe que podia, ninguém precisou falar, ele já sabia, nasceu sabendo...e ela mais do que depressa correu até a garrafa, fez graça e voltou ao ponto de partida, e eles fizeram isso por muito tempo e eu encostada no meio muro só observando o nascimento de mais um saber desse pequeno grande ser...fiquei pensando na descoberta dele e no significado disso, lembrei das minhas descobertas e das escolhas que fiz bem depois...e ele ria alto e por vezes gargalhava e gritava "vai piti"...e nada mais tinha vez naquela hora...e nem um nem outro se cansava, os dois estavam lá, parceiros na felicidade, na descoberta que dá sentido a vida...a felicidade presente e se manifestando em pleno vapor...naquela tarde ele "JOÃO PEDRO ROCHA TRINDLINDLIN" descobriu a felicidade sem saber ao menos o que é tristeza...quisera eu que ele nunca descobrisse essa outra ai, mas a vida tem dessas complexidades que nem eu, nem ele e nem piti entendemos...mas da felicidade nós sabemos bem...

foi assim...


que não era mais meu, eu já não estava no mesmo lugar, já não o reconhecia nem sequer em pensamento, simplesmente foi se apagando da minha mente, foi ficando para trás e eu cada vez mais desesperada, me apegando a cada coisinha que parecia ser familiar...eu cada vez mais apegada aquele tempo que já passou e que eu não queria deixar fluir...era o que de melhor havia em mim, como poderia deixar o que de melhor tenho sair de mim...a rua que outrora era de terra bem vermelha ganhou um tom cinza azulado que não me agradava, as nos chamando, e na eu fiz planos, realmente eu fiz muitos planos pra que neste ano não fosse nem assim nem assado...mas como todo plano sempre vem acompanhado de água abaixo, assim se deu...foi assim, eu pulei aquelas ondas, eu agradeci e pedir mesmo só pedi que neste que agora já é aquele eu pudesse ser menos apegada do que sempre fui...não pretendia a plenitude da abertura das mãos e do coração, acredito no tempo, sei do que ele é capaz, ao menos achava que sabia...queria poder deixar fluir, achava que é assim que tem que ser, nada de coisa alguma parada por aqui e por ali, achava que o certo era mesmo deixar estar enquanto estivesse e depois deixar partir, eu mal sabia o que era deixar partir, eu mal sabia...não imaginei que mãos assim como as minhas não se abrem com tanta facilidade como pular ondas...mas bastou meio tempo pra descobrir o que acontece comigo toda vez...sem nem ao menos querer testar conscientemente minhas promessas de ano novo voltei aquele lugar...algumas horas e paisagens e lá estava eu de volta a minha infância, aos anos de ouro, aos mais felizes de todos os tempos, eu estava lá de mala e cuia, olhando com os mesmos olhos com que aprendi a ver aquele lugar...com toda magia que me remetia aquele livro encantado de páginas sempre abertas, fui pondo os pés naquele chão e sentindo do que sou feita, de onde vim sem a preocupação do onde vou, fui rememorando todas as páginas, uma a uma, cada conto, cada histórinha que vivi em todos esses anos...mas bastou um piscar de olhos para ver que quanto mais virava as páginas seguintes menos eu as reconhecia...os lugares tinham agora as suas cores trocadas ou quando não apagadas, não se parecia mais com o lugar que eu tinha fresco em minha mente, já não mais...e a cada palavras trocada com esse ou aquele havia um dejavújaboticabeiras tinham sido podadas e não havia sequer um galho que pudesse servir para amarrar a corda do balanço, aliás, nem as jaboticabas estavam por lá...a mangueira não mostrava nem o toco da raiz, os passarinhos passavam férias em outros lugares, o sorveteiro já não mais assobiavasorveteria o de groselha não existe mais, e os que existem são químicos demais pro meu infantil paladar...quanta coisa boa se perdeu no tempo, no quarto da frente agora não há mais nada, ela não está mais lá...e ele então, quanto tempo faz que não vejo, só em sonho, foto ou memória...e nós todos, estamos todos crescidos, estamos todos em outros lugares que passam tão longe uns dos outros...o tempo voa depressa, as conversas ficam cada vez mais escassas, os assuntos mais globalizados, as pessoas já não se conhecem mais, eu mesma não me reconheço em meio a tudo isso...e quando o coração aperta eu fecho os olhos devagar, o medo de que escorram águas dali é grande, eu não poderia tocar nessa ferida sem feri-la ainda mais...recebo em minhas mãos a canastrinha e ao invés de apertá-la contra o peito como seria meu costume, somente tenho coragem de abri-la, com pouco carinho e olhos secos, programadamente secos...olho mais uma vez aquelas coisas que conheço bem e sinto meu corpo todo desmoronar, minhas peles vão se dissolvendo pouco a pouco, minhas carnes se espalham pela sala agora tão escura e silenciosa, olho mas não vejo, só olho e as palavras saem da minha boca como de um programa de computador, quem é esse meu pai?, e essa aqui?, que roupas engraçadas, olha só o que escreveram nessa, nossa que diferente, me parece...e eu de verdade perdida entre palavras desconexas e uma vontade imensa de gritar e chorar o mais alto que eu pudesse...fui sentindo minha alma toda sentida, toda esfarelada, tão amarelada e gasta como os papéis que manuseava, fui ficando daquele tamanho que só eu sei como faço depois pra voltar...fui perdendo a graça, de tão sem graça que fiquei...como é que eu não me dei conta que esses anos todos se passaram, quase trinta, como eu pude mudar tanto, como pude perder coisas tão valiosas, como pude...e quem disse que algum dia eu vou estar pronta pra perder...pra perder vocês de mim, pra me perder de mim mesma...pq ao mesmo tempo que estão todos aqui, ao mesmo tempo que sei que certas coisas passam e outras não, ao mesmo tempo me dá um vazio, quando me deparo com tudo aquilo que já não é mais e que é natural que seja assim, todas as vezes que me deparo com essa realidade que me parece tão irreal, eu fico daquele tamanho e com o coração tão apertado que parece que vai sumir...quando vejo aquelas coisinhas que ainda estão lá, quando tantos já não estão mais, quando vejo os que ainda estão tão mudados que por vezes sequer reconheço...nessas vezes que chego a não me reconhecer...me sinto tão apegada as minhas coisas, as minhas pessoas, mesmo que lute para deixar bem claro que nada e nem ninguém é meu...quando tenho que abrir minhas mãos, minha alma e meu coração e deixar fluir o que sinto é pedra, nada sai...e fico pensando nos meus votos e se algum dias vou conseguir cumpri-los, eu não sei...
quando eu pisquei os olhos e perdi o meu paraíso...quando eu percebi que nada mais estava no seu lugar, quando fiquei daquele tamainho...quando quis gritar e chorar o mais forte que pudesse e simplesmente fiquei parada, calada, ali, quando imaginei que nada daquilo fosse mais meu, e que todos tinham ido embora e eu tinha ficado só, só mais uma vez...quando tudo isso se deu, foi quando percebi que antes de eles irem embora, antes de tudo isso quem saiu de lá fui eu...não sei se posso voltar...não sei agora...o paraíso já estava perdido...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

tem noite que é dia, tem dia que é noite, ontem nem uma nem outra...

ontem não foi nem uma nem outra, ontem não foi...zezé era apenas um menino franzino que viveu na mente e nos escritos de josé mauro de vasconcelos, muito pobre dizia que tinha no peito ao invés de coração um diabo, e na noite de natal o que lhe nascia era o menino diabo e não o tal menino jesus dos outros, ele sabia disso desde sempre, não que isso lhe fosse confortável, mas ele sabia melhor do que ninguém o que significa ter no peito um diabinho...e desde sempre o que arde por aqui é um exú, um daqueles pimenta, dentro do peito o que bate vez por outra no lugar de um coração é o meu pequeno exúzinho, já estou acostumada com ele, não que vez por outra não me incomode, não que eu não sonhe em ter por aqui um belo e delicado coração, não que eu aceite isso todo dia, não que não me incomode, mas ele está lá, e tem dias que fala pelas tripas do judas, tem dia que só eu sei o que significa ter um exúzinho dentro do peito...ontem por exemplo era um arrepio oco, típico de desgosto seco e só eu sei o que me deixa desgostosa assim, mas foi, ele veio vindo e soprando de dentro pra fora como sempre as suas coisinhas, tem vezes que o que ele acha é bem o que eu acho e tem outras que não...sabe que eu tinha um sonho muito grande , assim como o zezé tinha de ganhar presente na noite de natal, o meu sonho era o de conhecer Salvador, na Bahía (de todos os santos), e um dia eu fui e quando cheguei naquele lugar, nossa senhora desapercebida...era não exatamente como eu imaginei, mas muito melhor, era como se eu estivesse dentro de um sonho, acordada, ciente, respirar aquele ar, pisar naquele chão me fez me sentir viva como a muito tempo eu não sentia...e é tão bom sonhar com uma coisa e quando ela se realiza perceber que ela é ainda melhor do que seu sonho pode sonhar...aquele é sim o meu lugar...meu pequeno "paraíso perdido"...mas ontem eu senti que tem sonho que não é bem assim, não tem nada com o que sonhado foi, é outra coisa que não tem nada haver...e dai arde o meu exú no peito e arrepio de desgosto seco...e minha imaginação mais uma vez me dá umas voltas, e quando eu volto quase não me lembro onde estou e isso é quase tão bom...sou mesmo meio bicho, sigo meus instintos e os do meu exúzinho...só Deus sabe onde é que isso vai parar...só Deus sabe...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

de novo só tudo de novo...

e é sempre assim, nunca aprendi a fumar, nunca aprendi a por pra dentro essa fumaça que mata, dizem os estudos dos estudiosos...nunca aprendi a beber mais de três goles sem ficar meio tonta, meio mais pra lá do que pra cá...e como nunca diga nunca, não que eu queira assim, mas ainda está em tempo de aprender uma porção de coisas e não desdenho nenhuma delas...são todas coisas e nada mais, não dá pra desdenhar essa ou aquela...mas quando vejo que não há nada de novo só tudo de novo, perco o sono mais uma vez, perco de vez talvez...olho a tela colorida e quero mais uma vez estar dentro dela...a vida seria muito mais fácil se fosse feito a da televisão...isso já não é mais uma novidade, isso já não é mais a capa das revistas de "chisme"... e logo minha mão já se finca daquela forma, os dois dedos que correm para a gaveta de cima já sabem o que procuram...a caixa de fósforos só falta fazer um samba canção...bem combinaria comigo um samba assim, dia desses vou aprender a falar das minhas próprias mágoas e faço um assim, bem queixoso, bem choroso e canto ele em alguma rádio chinfrim, rima já se sabe que tenho mesmo, só falta saber dosar as mágoas pra um samba bem canção...a caixinha barulhenta e a mão que sai de dentro da gaveta com uma novidade que não é tão nova assim, um maço de cigarros de cravo que dura já quase um meio ano, ano novo, vida nova, mas nem tudo é tão novo assim...é fato que agente nem sempre se entende, isso é fato mais do que sacramentado, pois é, parece que além de eu ser humana ele também resolver ser...de uma hora pra outra somos todos, no mundo, humanos e dai dá nessa confusão que está ai, um invadindo o outro e ainda por cima se achando com a razão...um querendo tomar posse do que é do outro e achando que a ferro e fogo tudo pode ser...e depois que o sono some só Deus sabe o que pode acontecer, e ligo o tal do cigarro cheia de mágoa e me sentido a dona de uma verdade que só existe pra mim...pq a verdade é meio assim, ela só existe de um dos lados, pq se estiver dos dois já começamos a desconfiar...cigarro ligado e aquela mãozinha do tipo arrogante, dedinho em "v" e começa a caminhada, vem cigarro pra boca ávida, seca por um gole de fumaça...vai em reta na mão para o lado, espera um segundo com fumaça dentro da boca, solta pelo ladinho da boca que me cai melhor, vai de encontro a boca, perdidamente sedenta por um beijo longo e apaixonado, mas que agora só resta cigarro de cravo, as coisas já não são mais as mesmas, somos humanos, me lembro...talvez um trago acabe com essas vontades que não condizem com a vida de uma "senhoura" casada, sim tentarei um trago, trago o cigarro de volta a boca e sei o caminho da fumaça que entra pela boca e pode até sair pelo nariz, mas só depois de ter passado pelos limpos e virgens pulmões...tosse é o máximo que consigo...uma carteira de cigarro por ano e o que é que me sobra, tosse e fumaça no olho, que arde e chora, nem o choro é mais o mesmo...certamente as coisas mudaram...fico pensando se alguém vai ler isso aqui e logo depois como lampejo penso, que se dane o mundo e suas opiniões, afinal de contas estou rodeada por seres humanos, quem ler essa mensagem mequetrefe há de compreender os meus anseios e desilusões passageiras, amanhã tudo volta ao normal e eu volto a ser digna de outro prato de sopa de beterrabas...e depois outro cigarro e mais outro e acendo enfim um no outro que finda, essa carteira vai durar meio ano é o que me vem a cabeça...a janela aberta de madrugada no andar térreo, com a luz da janela vazando pra fora, a janela deixando esse arzinho frio típico de janeiro, renovando o ar cravejado daqui, alias um pouco mais de respeito pelo sagrado lar que habito e pelo humano que aqui também vive, não se pode extrapolar, é o que temos para o momento, ou a célebre frase que poucos entendem "não temos"...mas do que raios estou reclamando, me pergunto quando risco um fósforo em silêncio...espero o tempo de umas duas ou três tragadas pra poder responder essa não resposta...que merda de reclamação desumana é essa que a senhora (quase saiu uma senhorita...) a uma hora dessas vem fazer, já que não há nada de novo...do que é que me vem reclamar agora pergunta o exúzinho...pois é, o banho estava quente e a comida boa, as toalhas na medida do sol que as seca limpas, o sabonete tinha até uma parte de hidratante e o shampu também...a cama tinha lençol de tergal e fronha do mesmo pano e até televisão no quarto tinha e ficou ligada até depois da minissérie da maysa, já sei decerto é essa minissérie que tá mudando os teus pensamentos, agora só me falta ir até a geladeira e pegar uma bebida, toma logo whisky de uma vez...não, toma pinga, pq já que não é diva o teu latifúndio é cachaça mesmo...isso é por querer se meter a artista, se meter a não se conformar em ficar no mesmo lugar na vida, por se meter a pensar e a sentir o tempo todo...isso é o que dá...e depois eu é que sou pimenta...depois vê a outra na tela toda formosa, rindo alto, falando palavrão, cantando com peito aberto, falando coisas bonitas e pras melhores fossas, dai vê tudo isso, liga um cigarro no outro, acha que pode tudo na vida, que pode que nada...o fumo eu agradeço pq adoro, e vc me dá sem nem ao menos eu pedir, pena que nem tragar traga...as músicas também faço a festa, mas dai achar que vida de verdade é televisão...dai a achar que sua dor pode ser bonita e seus desejos verdadeiros...dai a pensar que é uma diva...calma lá...a minissérie não tem nada com a sua macrossérie, e você não passa de uma dessas bandidas, de pistola e lenço escondendo a boca...nem tragando se passa por diva...mas a pinga eu aceito, aliás, o Santo aceita...

se foi...

estava em dois mil e oito e depois de umas flores colhidas com o coração, um maço de velas bem vermelhas, as guias de Ogum sacolejando no peito e uns agradecimentos ao invés de pedidos, depois de sete ondas e aquelas estrelas feitas colorindo o céu ele se foi, se foi deixando pra trás a certeza de que há sim um recomeço a cada vez que sai um e entra outro, seja o que quer que seja...foi deixando um gosto estranho na boca e no peito um aperto, mas deixei as mãos bem abertas, não quero mais nada preso nelas...não mais...na dita hora eu estava sozinha, quis assim, achei melhor começar por mim a abertura das portas, a soltura tinha que começar ali, dentro pra fora e é certo que virá de fora pra dentro também...resolvi ir de branco sim, os colares eram vermelhos e brancos, resolvi homenagear na festa de Iemanjá o meu Santo Forte e sei que ela entende, briga é coisa de gente daqui...resolvi ir de pés descalços e sem fazer alarde, sem confusão, sem me abalar pelo preconceito bobo que alguns tem como autoproteção...quis ir sem e quissá pudesse ter ido nua, mas fui de branco na pele escura, torrada pelo sol que agradeci, pelo mar banhei a minha liberdade primeira e agradeci também...resolvi que nessa troca que faria com ela, nessa troca que haveria depois das doze, quer eu queira, quer não, resolvi não pedir mais nada, estava tudo ali, na minha frente, no meu peito, estava já tudo ali...resolvi dizer que estava tudo bem até aquele momento e que tudo bem se continuasse assim, resolvi que da vida não precisamos de nada, já está tudo aqui, e sem medo de ser piegas decidi que queria agradecer muito sem nada pedir, pq devemos definitivamente ter cuidado com nossos pedidos, eles podem se realizar de uma hora pra outra e não ser exatamente o que achavamos ser, ou então ficamos tão ávidos pelo pedido que não damos atenção ao que já foi pedido anteriormente e que quando chega é rapidamente substituido por outro pedido e lá se vai um pouco de fé nossa pro fundo do poço... percebi que tudo começa aqui, e não é egocentrismo, tem que partir daqui, pq se não for assim não serve, ao menos não pra mim, as pessoas podem ajudar a definir o que ou quem vc é, mas jamais decidir se deve ou tem que permanecer assim...SARAVÁ 2009!!! seja muito bem vindo entre nós...

1,2,3 e foi...

ele já sabe o que é liberdade e não sabe ainda que eu também sei que ele sabe...e "inda" ontem tava lá preso nos cueiros, todo pequeno e delicado, todo cheio de chororôs e caixinhos dourados, até ontem, pq esse ontem se foi tão rápido que nem pude perceber o quanto ele cresceu, e se fosse só em tamanho ainda vá lá...mas ele já sabe o que é a dita cuja da liberdade, e pra mim que a tenho calçada nos pés d'alma, nos pés do corpo, pra mim, saber que ele já sabe da existência dessa dona, só Deus sabe o que significa...e dai eu fico como de costume com os olhos ainda mais molhados e chorosos do que sempre, e dai eu olho aquele tico de gente todo libertoso, todo todo e me dá um misto de alegria e dor, me dá uma vontade de dizer pra ele um montão de coisas, mas ele sabe o que é liberdade, eu não posso dizer mais nada disso que queria dizer...ele sabe o que é liberdade e não tem um pingo de juízo, ele não sabe o que é juízo, tai o motivo de não ter nadinha de pingo...e tem coisa "mais boa" na vida do que conhecer a dona e não ter um pingo...tem coisa melhor, pq quando ele me fala aquelas coisas que "Deusulivre" nos meus ouvidos, quando ele fala com propriedade das coisas da sua vida...ele fala com toda a liberdade que meu juízo apagou, aquela lá de longe que um dia eu tive e que sei lá porque deixei morrer, deixei partir, deixei ou nem sei se deixei... mas se foi, se libertou de mim...e dai ele olha com aquele olho de céu de domingo e me diz das liberdades dele, eu toda tola com medo de cair, se ralar, se quebrar, me esqueço que liberdade naquela época tinha haver com comer todas as balas e colocar todos os chicletes de uma vez só na boca pra fazer a maior bola do mundo, mesmo quando ainda não se sabe fazer bola...ai eu digo uns virgem santíssima pra lá, uns credo em cruz pra cá e me esqueço da liberdadezinha pura que invade o serzinho que se encontra ali...só falta poder voar, mas ele nem precisaria disso, já vive lá no alto, bem longe dessas nossas amarras e juízos...já troquei fralda, escutei chorinho e berro, já dei de comer na boca, já fiquei noite acordada, e o que é que eu posso cobrar agora, nadica de nada, pq quando olha com aquelas duas buricas arregaladas e me chama de Mada ( a Mada queriiiiida...), sou eu é que fico devendo uns tantos de vida pra ele...e olhe que eu nem precisei parir, mas a dor do parto esteve sempre presente e o cordão ligado...e certo dia me aparece com essa de saber o que é liberdade...saímos de carro para um passeio comum, os vidros abertos e alta velocidade, minha dosesinha de liberdade...o vento no cabelinho de anjo bem curto, ele abre os braços e grita, uhuuuuuuuuuuuuu...o vento lhe toma a cara, os braços e o corpo, o cinto de segurança lhe prende a cintura e o peito, ele dá uma daquelas risadas e de novo...uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...e eu mera espectadora da liberdade pura nascendo em pleno retrovisor...ele já sabe o que é liberdade quando eu quase me esqueci...
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